Política Monetária Fortuna do Facebook ajuda a pressionar Fed a dar foco ao emprego

Fortuna do Facebook ajuda a pressionar Fed a dar foco ao emprego

Quando Kendra Brooks saiu do bairro no subúrbio onde mora, na região norte de Filadélfia, para ir ao simpósio anual da Reserva Federal em Jackson Hole, Wyoming, a viagem foi paga por um dos fundadores do Facebook.
Bloomberg 17 de setembro de 2016 às 09:00

Kendra percorreu os quase 3.380 quilómetros para pedir grandes mudanças no banco central dos EUA. Falou em nome do Fed Up, um conjunto de grupos comunitários organizados pelo Center for Popular Democracy, um centro progressista com sede em Nova Iorque. Cerca de 1,35 milhões de dólares do orçamento de 2016 de 1,7 milhões da organização vem do Open Philanthropy Project, uma das entidades através das quais o bilionário Dustin Moskovitz e sua esposa Cari Tuna distribuem a fortuna que ergueram com o Facebook.

 

O dinheiro desse movimento tem por objetivo exercer influência na Fed, cuja tarefa é promover o máximo nível de emprego e uma inflação estável. O Open Philanthropy Project espera que o Fed Up leve a autoridade monetária a dar prioridade aos empregos - especialmente quando ocorrer a próxima crise económica, diz Alexander Berger, chefe de programa para a política monetária dos EUA. A iniciativa é oportuna, porque as autoridades da Fed estão a debater se os juros deveriam aumentar para combater a inflação ou continuar baixos para que mais americanos voltem ao mercado de trabalho.

 

"O Fed Up nunca estará em posição de determinar a próxima medida de política monetária - e nem deveria -, mas pode dar o apoio público visível de que os bancos centrais necessitam para responder de maneira mais efectiva na próxima recessão", disse Berger.

 

O grupo levou 120 membros a Jackson Hole em Agosto, entre eles Kendra, e participou numa reunião inédita com 11 importantes autoridades da Fed – entre eles o vice-presidente Stanley Fischer, e o director da Fed de Nova Iorque, William Dudley - num evento que foi transmitido pela internet.

 

O Fed Up argumenta que se um grupo de pessoas mais variado, racial e profissionalmente, definisse a política monetária, ele estaria mais sintonizado com os problemas de trabalho das minorias. Por isso o Fed Up está a tentar conseguir que minorias, líderes trabalhistas e académicos participem dos conselhos regionais da Fed, em vez de homens brancos de bancos comerciais e corporações. Parte dessa lógica é que conselhos com mais diversidade poderiam escolher presidentes regionais do Fed, que votam as políticas monetárias, também diversos.

 

Os críticos alegam que a iniciativa do Fed Up de tirar executivos do sector bancário e pessoas nomeadas por eles dos conselhos regionais do Fed poderia prejudicar a capacidade do banco central de definir a política monetária sem influência externa.





pub

Marketing Automation certified by E-GOI