Política Monetária Inflação e crédito a PME marcam debate em Sintra

Inflação e crédito a PME marcam debate em Sintra

Deflação, compras de activos pelo BCE, crédito às empresas e os resultados das europeias de domingo: quatro temas em destaque o primeiro Fórum do BCE. O encontro voltará a Sintra nos próximos cinco anos.
Inflação e crédito a PME marcam debate em Sintra
Bloomberg

Inflação: Draghi recusa proposta de Krugman

 

O Presidente do BCE voltou a afastar um cenário de deflação. "Nós não vemos nem uma espiral deflacionista, nem o comportamento típico da despesa que caracteriza a deflação" como o adiamento de gastos de investimento e consumo, afirmou, evidenciando no entanto que há uma elevada heterogeneidade de situações dentro da Zona Euro - que se estende às dificuldades de acesso a crédito.

 

Na segunda-feira Draghi admitiu o risco de algumas economias na periferia enfrentarem uma queda prolongada de preços, mas frisou que este não é um problema geral. O responsável máximo do BCE aproveitou ainda a última sessão do Fórum de Sintra para se distanciar da proposta mais polémica do encontro: uma subida do objectivo de inflação de 2% para 4%, avançada por Paul Krugman na manhã. "Quando o Paul sugere uma inflação de 5% [essa seria uma média] pergunto-me qual seria o valor para a Alemanha? Não quero nem pensar nisso", afirmou.

 

Europeias: Água na fervura dos eurocépticos

 

Numa conferência que reúne alguns dos principais responsáveis políticos e financeiros da Europa, as intervenções acabaram por servir como rescaldo a umas eleições marcadas pela ascensão do eurocepticismo. Durão Barroso admitiu que os resultados reflectiram "algo mais profundo", relacionado com "o desemprego e o sentimento contra estrangeiros". "Posições anti-imigração foram um dos principais motivos do voto eurocéptico", acrescentou segunda-feira.

 

Ontem, Mario Draghi também foi questionado sobre o tema e colocou alguma água na fervura. "Por mais surpreendente que os resultados tenham sido, o Parlamento Europeu parece capaz de ter um papel construtivo", afirmou. "As perspectivas de ter um parlamento que não funciona não se materializaram." Draghi avisou, contudo, que os responsáveis políticos devem estar atentos aos desejos da população. "Os governos existem por aquilo que podem providenciar."

 

Financiamento: Facilitar crédito às pequenas e médias empresas

 

Foi um dos principais problemas identificados pelos participantes no Fórum do BCE. O mecanismo de transmissão da política monetária não está a funcionar, o que significa que o crédito não está a chegar a empresas de menor dimensão, principalmente nas economias periféricas. "As restrições de oferta permanecem especialmente fortes para as PME em países sob stress", referiu segunda-feira Mario Draghi, acrescentando que "a percentagem de PME viáveis, mas constrangidas financeiramente […] varia de um mínimo de 1% na Alemanha e Áustria até um quarto da população total [de PME viáveis] em Espanha, até um terço em Portugal", avançou.

 

Figuras influentes como Hyun Song Shin, director do departamento de investigação do Banco de Pagamentos Internacionais, e Markus Brunnermeier, professor em Princeton, também se referiram a esta limitação de acesso a financiamento como um dos principais obstáculos a ultrapassar pelos bancos centrais.

 

Política monetária: "Falcão" critica compra de activos

 

Deve o BCE ser mais agressivo? O tema foi transversal ao Fórum do BCE e as opiniões flutuaram entre interlocutores mais ou menos conservadores. Otmar Issing, primeiro economista-chefe do banco central, defendeu que o BCE não se deve afastar do seu mandato de controlo da evolução dos preços.

 

O conhecido "falcão" da política monetária desaconselhou abertamente a que se abra ainda mais a "Caixa de Pandora" dos instrumentos não-convencionais. "É uma forma perigosa de fazer política monetária", advertiu. Se o fizer, o banco central estará a enviar sinais errados aos Governos, que poderão sentir-se com margem de manobra para relaxar o controlo das contas públicas, arriscando a converter-se "rapidamente no único bode expiatório de tudo o que possa correr mal". Recorde-se que na próxima reunião do BCE, Draghi deverá anunciar uma nova descida das taxas de juro e um programa de compra de activos.

 




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