Política Monetária Lagarde avisa: "Vou ter o meu próprio estilo. Não façam comparações"

Lagarde avisa: "Vou ter o meu próprio estilo. Não façam comparações"

Na sua primeira reunião, Christine Lagarde fez questão de pedir para não haver comparações com os anteriores presidentes do BCE.
Tiago Varzim 12 de dezembro de 2019 às 13:57
Após a leitura habitual do comunicado introdutório, Christine Lagarde decidiu fazer uma ressalva para todos: não quer que tentem adivinhar o que quis dizer com certas palavras ou que comparem o seu discurso a outros presidentes de bancos centrais. 

"Todos os presidentes tem o seu estilo de comunicação. Sei que alguns de vocês querem comparar e classificar ou fazer um ranking, mas eu vou ter o meu próprio estilo", afirmou a nova presidente do BCE, pedindo aos jornalistas, analistas e agentes económicos para não interpretarem em demasia as suas palavras.

Lagarde assumiu que será "ela própria e, por isso, provavelmente diferente" dos seus antecessores, nomeadamente o ex-presidente do BCE, Mario Draghi, que abandonou o cargo há um mês e meio e foi marcante durante o seu mandato.

Em particular, a francesa pediu aos jornalistas para não "tirarem demasiadas conclusões fechadas" sobre os seus discursos, principalmente quando estiver a falar para públicos diferentes, com menos conhecimento de política monetária, em que tentará adaptar as palavras. "E quando eu não souber algo, direi que não sei", assumiu a presidente do BCE.

Estas declarações foram proferidas na conferência de imprensa que se segue à primeira reunião de política monetária do BCE e onde Lagarde responde às perguntas dos jornalistas.

Revisão da estratégia começa em janeiro e termina antes do final de 2020
A presidente do BCE anunciou que quer começar a revisão da estratégia em janeiro e espera terminar esse exercício antes do final de 2020. "Não há uma conclusão preconcebida neste momento", garantiu, mantendo a "mente aberta e análise" que prometeu na primeira audição no Parlamento Europeu. 

"Esta revisão já vem atrasada, mas tal é legítimo porque houve muita coisa a fazer" nos últimos 16 anos, afirmou, referindo-se à última revisão da estratégia que aconteceu em 2003. Assumindo que não existe uma altura "certa" para fazer a revisão, Lagarde argumentou que o início do seu mandato é um bom pretexto.

Sem dar muitos pormenores sobre o enquadramento da revisão - uma vez que ainda não foi definido no Conselho do BCE -, Christine Lagarde adiantou que esta terá de ser "abrangente" e irá demorar "o seu tempo, mas não demasiado". Tal significa que irá olhar sobretudo para a forma como a estabilidade dos preços é assegurada, ou seja, a definição do objetivo de médio-prazo da inflação: atualmente passa por uma inflação próxima, mas abaixo de 2%.

Mas Lagarde também se comprometeu a fazer as coisas de forma diferente, incluindo a revolução tecnológica "massiva" e o desafio "extraordinário" das alterações climáticas neste exercício. Além disso, a presidente do BCE revelou que a revisão irá incluir mais do que os membros do Conselho do BCE, prometendo abrir a discussão aos eurodeputados, às universidades e aos representantes da sociedade civil.

PIB trava em 2020, mas acelera em 2021
As novas previsões do BCE apontam para um crescimento económico de 1,2% este ano, acima dos 1,1% estimados em setembro. Contudo, a previsão para 2020 foi revista ligeiramente em baixa de 1,2% para 1,1%, o que se traduz numa desaceleração.

No entanto, a previsão para 2021 manteve-se nos 1,4%, o que representa uma aceleração, sendo o mesmo número para 2022. Lagarde fez questão de assinalar que os riscos continuam "descendentes", mas têm agora um "peso menor".

Já a inflação continuará abaixo do objetivo do BCE nos próximos três anos. A previsão para 2019 manteve-se nos 1,2%. Para 2020 foi revista em alta para 1,1%. 

Em 2021, a inflação deverá ficar nos 1,4%, abaixo da anterior previsão de 1,5%. Só em 2022 é que a inflação vai aproximar-se do objetivo do BCE ao chegar aos 1,6%, caso as projeções do 'staff' se concretizem.

Para Lagarde esta é uma trajetória positiva da inflação. Ainda assim, a presidente do BCE assumiu que esse valor não é "satisfatório" dado que continuará a ficar aquém dos objetivos do conselho do BCE. 

(Notícia atualizada às 14h44 com mais informação)



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