Política Monetária Mester defende subida dos juros no final do ano nos EUA. Williams acha que está bem assim

Mester defende subida dos juros no final do ano nos EUA. Williams acha que está bem assim

Esta quarta-feira, 20 de fevereiro, serão publicadas as atas da última reunião de política monetária da Reserva Federal norte-americana, realizada no final de janeiro.
Mester defende subida dos juros no final do ano nos EUA. Williams acha que está bem assim
Reuters
Carla Pedro 19 de fevereiro de 2019 às 20:05

No encontro do mês passado, o banco central dos Estados Unidos decidiu, sem surpresas, manter os juros diretores no atual intervalo entre 2,25% e 2,5%. Mas mudou substancialmente a linguagem do seu discurso. Não só não disse quantas vezes prevê mexer nos juros este ano, como também abriu a porta a que a próxima mexida possa ser para cima ou para baixo. 

 

A ideia com que muitos intervenientes de mercado ficaram foi a de que talvez nem haja mais subidas de juros este ano, atendendo à desaceleração da economia.

 

No entanto, esta terça-feira, a presidente da Fed de Cleveland, Loretta Mester (na foto), veio dizer que o banco central poderá ter de subir os juros mais para o final do ano mas que também deverá conseguir levar a bom porto os seus esforços de redução do balanço da Fed (que conta com um vasto portefólio de obrigações).

 

O balanço da Fed "inchou" para mais de 4 biliões de dólares no seguimento da recessão de 2007-09 e a autoridade monetária começou a reduzir em finais de 2017 os títulos de dívida que tinha em mãos.

 

Os comentários de Mester são um exemplo da complexidade dos esforços da Reserva Federal no sentido de estabelecer novas normas de fixação da política monetária numa altura em que as perspetivas económicas dos EUA são cada vez mais incertas, sublinha a Reuters.

 

Loretta Mester, que desde há muito defende taxas de juro mais elevadas, também apoiou a decisão da Fed, no mês passado, de acabar com o "guidance" sobre a próxima direção a seguir – ou seja, deixar de dizer se a mexida seguinte nos juros será um aumento ou corte da taxa diretora.

Entretanto, poucas horas depois de Mester falou o presidente da Fed de Nova Iorque, John Williams, que declarou que está confortável com o atual nível dos juros norte-americanos e que não vê qualquer necessidade de os aumentar de novo, a menos que o crescimento económico do país ou a inflação acelerem inesperadamente.

Em três anos, nove aumentos dos juros
 

Com o aumento decidido em dezembro último, a Fed elevou para nove o número de subidas dos juros desde dezembro de 2015, altura em que a instituição então liderada por Janet Yellen iniciou a via da normalização da política monetária e que tem encarecido o preço do dinheiro.

 

Essa subida do final do ano passado (a quarta em 2018) foi criticada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que tem vindo a apontar o dedo à Fed por considerar que está a aumentar os juros de forma demasiado rápida.

 

Nessa altura, a Fed reduziu a estimativa das subidas dos juros previstas para 2019, apontando para dois potenciais aumentos em vez dos três projetados anteriormente. No entanto, Wall Street reagiu em baixa, uma vez que, perante o abrandamento económico global, muitos investidores esperavam que o banco central se decidisse mesmo por uma pausa no aumento dos juros.

Posteriormente, em janeiro, o discurso da Fed foi mais prudente, com os responsáveis pela política monetária do país a dizerem que serão pacientes em matéria de subida de juros – declarações que acalmaram grandemente os investidores.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI