Política Monetária Mario Draghi dispara a Schäuble: "Nós obedecemos à lei, não aos políticos"

Mario Draghi dispara a Schäuble: "Nós obedecemos à lei, não aos políticos"

O BCE é independente e é assim que vai continuar a agir. Esta foi a posição assumida por Mario Draghi, que salientou que não trabalha só para a Alemanha. E chutou as críticas para canto, dizendo que estas podem implicar mais estímulos monetários.
Mario Draghi dispara a Schäuble: "Nós obedecemos à lei, não aos políticos"
Getty Images
André Tanque Jesus 21 de abril de 2016 às 15:00

O ministro das Finanças alemão colocou Mario Draghi no centro do debate, quando questionou as políticas do Banco Central Europeu (BCE). Agora, o responsável pela política monetária na Zona Euro relembrou que não trabalha para a Alemanha e que a instituição obedece à lei. E acrescentou que há críticas que só atrasam o banco central no alcance dos seus objectivos e que, por isso, obrigam a mais medidas.

"Temos um mandato para gerir a política monetária para toda a Zona Euro. Não apenas para a Alemanha", atirou Mario Draghi esta quinta-feira, 21 de Abril, durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho do BCE. Mas o presidente da instituição foi ainda mais longe: "Nós obedecemos à lei, não aos políticos". E acrescentou que o Conselho do BCE teve "uma breve discussão sobre este assunto", tendo sido "unânime na defesa da independência do banco central e na avaliação de que as medidas em prática são apropriadas".

Estas declarações surgem depois de, numa entrevista à Reuters publicada a 12 de Abril, Wolfgang Schäuble ter afirmado que "é inquestionável que a política de taxas de juro baixas está a causar enormes problemas aos bancos e ao sector financeiro alemão". Entre outras críticas, o ministro das Finanças alemão apontou ainda que este factor está a levar a uma falta de confiança das pessoas em relação às instituições europeias.

Mais perto do fim da conferência de imprensa, Mario Draghi voltou a ser confrontado com o tema, tendo então esclarecido que Schäuble contactou-o para dizer que "não era bem aquilo que queria dizer". O presidente do BCE alavancou, então, a questão para citar o seu antecessor, Jean-Claude Trichet, que defendeu as actuais políticas, ao afirmar que também as levaria a cabo.

Contudo, deixou um alerta: "Alguns tipos de críticas poderão ser vistos como um perigo à independência do BCE". Mario Draghi disse que, nestes casos, a consequência imediata é que as empresas poderão atrasar os pedidos de crédito e, assim, o investimento. Por outras palavras, resumiu, "sempre que a credibilidade de um banco central é vista como estando em causa, o resultado é um atraso no alcance dos seus objectivos. E, por isso, é necessária uma maior expansão monetária".




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