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Paul De Grauwe: BCE tem instrumentos mas não tem vontade de apoiar crescimento

O economista Paul De Grauwe afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) tem instrumentos, mas não tem vontade para accionar medidas que apoiem o crescimento, porque há "desacordo no conselho executivo" do banco central.

Lusa 26 de Maio de 2014 às 20:04
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Em entrevista à agência Lusa, Paul De Grauwe afirmou que "o BCE tem alguma responsabilidade em promover o crescimento", embora sublinhando que não está ao alcance do banco central aumentar o crescimento no longo prazo.

 

"Mas, quando estamos em recessão, aí o BCE pode fazer alguma coisa, pode impulsionar a actividade económica. E em muitos países, na Europa do Sul em particular, os bancos não estão a fazer o seu trabalho, o crédito não está a chegar [à economia] e o BCE pode actuar e tentar melhorar isso", argumentou, considerando que tal não acontece porque "o BCE é um grupo de homens relativamente velhos que estão cheios de medo".

 

Questionado sobre que tipo de instrumentos tem a instituição liderada por Mario Draghi, Paul De Grauwe afirmou que o BCE pode aumentar o volume de liquidez na economia, através da compra de dívida soberana, da intervenção nos mercados cambiais ou da compra de dólares.

 

O BCE "tem muitos instrumentos para fazer isso. [O problema] não é falta de instrumentos, é falta de vontade", disse De Grauwe, considerando que isso acontece porque "há desacordo dentro do conselho de administração do BCE".

 

"Na Alemanha, há a visão de que o BCE devia fazer isso [accionar estes instrumentos], porque isso é mau para a Alemanha. Mas, o BCE não deve seguir esse conselho porque o BCE é responsável pela zona euro no seu todo, não pela Alemanha", rematou.

 

Paul De Grauwe está em Portugal para participar no 'ECB Forum on Central Banking', organizado pelo Banco Central Europeu, que decorre deste domingo e até terça-feira num hotel em Sintra, junto a Lisboa.

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