Banca & Finanças Paz Ferreira: “Tomara que todos os bancos fossem tão decentes como a Caixa”

Paz Ferreira: “Tomara que todos os bancos fossem tão decentes como a Caixa”

Em entrevista à Antena 1, a propósito do seu último livro “por uma sociedade decente”, Eduardo Paz Ferreira, também administrador não executivo da CGD, garante que a CGD é um banco decente, que está a ser politicamente aproveitado. E deixa a garantia: a 31 de Julho a administração vai-se embora.
Paz Ferreira: “Tomara que todos os bancos fossem tão decentes como a Caixa”
Negócios 21 de julho de 2016 às 12:05

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) "é um banco excepcionalmente decente" que não está a ser decentemente tratado na praça pública, nomeadamente pelo poder político, diz Eduardo Paz Ferreira em entrevista à Antena 1, acrescentando que espera que a futura administração, "a quem foram satisfeitas tantas condições", esteja lá no dia 31. Porque a 31 de Julho a actual administração fecha a porta e vai-se embora.

A entrevista concedida à radio pública teve como pretexto o livro mais recente do professor catedrático intitulado "por uma sociedade mais decente", mas a situação na Caixa, onde Eduardo Paz Ferreira é ainda administrador não executivo e presidente da comissão de auditoria, acabou por dominar parte significativa da conversa.

Questionado sobre se o banco público pode ser classificado de "decente", Paz Ferreira, que integra a lista de figuras que vai ser ouvida na comissão parlamentar de inquérito, responde que "a CGD é um banco excepcionalmente decente. Não vejo que nada na CGD seja indecente" , acrescentando que "tomara que fossem todos tão decentes como a Caixa", isto independentemente de poderem discutir-se algumas das opções tomadas no passado.

A recapitalização nada tem a ver com decências ou indecências – tem a ver com a situação económica que o país atravessa e com um problema sistémico do sistema financeiro – "Infelizmente, eu diria que, se calhar, os bancos decentes até precisam de ser mais recapitalizados do que os indecentes", argumenta.  

 

Paz Ferreira pediu escusa à pergunta sobre se a Caixa estaria a ser decentemente tratada, mas sempre foi dizendo que acha que "por vezes os políticos falam demais". "Neste caso acho que na há ninguém que não tenha falado sobre a Caixa. A Caixa era um banco que estava numa situação, era sabido que precisava de alguma recapitalização, mas não havia nenhum drama. Agora há uma dramatização na comunicação social", lamenta.

 

Actual administração está "totalmente desconfortável"

Paz Ferreira, que integra uma administração que cessou formalmente funções em Dezembro e que em Junho acabou a pedir a demissão, garante que a 31 de Julho toda a administração estará de saída.

Apesar de Mário Centeno ter referido que a actual equipa se mantém até ser substituída, o professor de finanças garante que não será assim. "Eu não posso fazer actos ilegais. A partir do dia 31 de Julho não sou administrador da Caixa. Espero muito sinceramente que a nova administração, que teve estes meses todos para trabalhar" e "a quem foram satisfeitas tantas condições" esteja lá antes do dia 31.

Sobre o livro que dedicou a Salgado Zenha e José Silva Lopes - dois homens decentes e servidores extraordinários da causa pública", Paz Ferreira reconhece que, a cada dia que passa há mais razões para se ser pessimista.

"Uma das razões porque temos uma sociedade que não considero decente é o facto de o Estado ter sido apagado". O Estado vendeu jóias da coroa com as privatizações, cedeu soberania à Europa, perdeu o controlo dos movimentos de capitais, e perdeu o controlo sobre o direito público. "Nos últimos anos têm proliferado as formas de justiça privada, com os tribunais arbitrais", de tal modo que, hoje em dia, "todas as grandes questões de direito civil são discutidas em tribunais privados, não em tribunais públicos".

Contudo, há uma esperança. "O meu ponto de vista parte de uma constatação de que estamos numa situação que não é uma consequência necessária – faz parte de políticas que foram assumidas. Portanto a partir do momento em que nos decidamos a reescrever as regras, alterar a politica", as coisas podem mudar.




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