Política Monetária Powell: Fed vai manter juros "em espera", exceto se a economia piorar

Powell: Fed vai manter juros "em espera", exceto se a economia piorar

O presidente da Fed reiterou os sinais dados na última reunião em que baixou os juros pela terceira vez: o nível atual é apropriado e assim vai manter-se, exceto se a economia piorar ainda mais.
Powell: Fed vai manter juros "em espera", exceto se a economia piorar
reuters
Tiago Varzim 13 de novembro de 2019 às 15:30
"On hold" [em espera, numa tradução livre]. É assim que as taxas de juro diretoras dos Estados Unidos devem ficar nos próximos tempos, garantiu o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, esta quarta-feira, 13 de novembro, perante o Congresso norte-americano.

Após três descidas consecutivas, a Fed quer deixar a política monetária respirar. Esta foi a mensagem transmitida na última reunião de política monetária e foi reiterada pelo presidente da instituição novamente na introdução inicial da audição perante os congressistas.

"Prevemos que a atual posição da política monetária provavelmente se mantenha apropriada desde que a informação que chegue sobre a economia continue amplamente consistente com o nosso 'outlook' de crescimento económico moderado, um mercado de trabalho forte e uma inflação perto do nosso objetivo simétrico de 2%", disse Powell.

Estas declarações estão em linha com o comunicado da reunião de outubro. Face aos textos anteriores, a Fed deixou cair a expressão "agir de forma apropriada para manter a expansão" da economia norte-americana, sugerindo que poderia iniciar um período de pausa quanto a mexidas nos juros. A Fed passou a referir apenas que, quando considerar o nível dos juros nas próximas reuniões, irá avaliar os dados económicos atuais e as previsões para o futuro.

Posteriormente, na conferência de imprensa, Jerome Powell disse que os "ajustamentos substanciais" feitos este ano colocavam a política monetária na posição "apropriada" para o futuro e antecipou que será "preciso haver uma subida significativa da inflação antes de uma subida dos juros". O argumento passa também pelo desfasamento entre a tomada da decisão e os efeitos que esta provoca pelo que será necessário esperar para ver que impacto tiveram estas três descidas dos juros.

Esta posição por parte da Fed deverá cair mal na Casa Branca. Donald Trump tem insistentemente pedido a Jerome Powell, que foi nomeado pelo atual presidente dos EUA, para baixar os juros para níveis semelhantes aos da Zona Euro, criticando a Reserva Federal - cujo enquadramento legal lhe dá independência perante o poder político - por prejudicar a competitividade da economia norte-americana. Trump chegou a apelidar a Fed do "maior inimigo" dos EUA, em detrimento da China. 

Riscos continuam e podem levar a mexidas
Contudo, o presidente da Reserva Federal também avisou hoje que há "riscos [para esta previsão] dignos de nota" que se mantêm. Em causa está o grau de desaceleração económica a nível mundial e as tensões comerciais.

Esta ressalva indica que, apesar do cenário central ser de manutenção dos juros no nível atual, a Fed não exclui um cenário mais negativo e "está pronta" para atuar caso seja necessário. "Nós iremos responder se o ‘outlook’ mudar substancialmente", assegurou na conferência de imprensa da última reunião. 

Para já, segundo a Bloomberg, os dados da economia norte-americana continuam a mostrar resiliência entre as famílias e as condições financeiras já aliviaram com estas três descidas, tendo as bolsas atingido novos recordes em Wall Street. A confiança dos consumidores melhorou em novembro pelo terceiro mês consecutivo e o emprego continuou a crescer, ainda que a Fed antecipe uma travagem na criação de emprego. 

No entanto, o investimento das empresas continua a ser o calcanhar de Aquiles dos EUA. O índice de produção industrial norte-americano caiu pelo terceiro mês consecutivo, tendo atingido o nível mais baixo desde a última recessão.

Há ainda um outro risco para o qual Powell fez questão de alertar os congressistas. Na opinião da Fed, as finanças públicas estão num "caminho insustentável" que poderá comprometer a capacidade da política orçamental ser usada como estabilizadora macroeconómica numa próxima crise. Em causa está o aumento substancial do défice orçamental por causa, em grande parte, da reforma fiscal introduzida pela atual administração.



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