Política Monetária Trump faz novo ataque: “O nosso problema não é a China” mas a “incompetência” da Fed

Trump faz novo ataque: “O nosso problema não é a China” mas a “incompetência” da Fed

O presidente dos EUA voltou ao ataque no Twitter. E, mais uma vez, o alvo foi a Fed. Donald Trump volta a defender uma redução de juros mais agressiva, acusando o banco central de “incompetência”.
Trump faz novo ataque: “O nosso problema não é a China” mas a “incompetência” da Fed
Reuters
Sara Antunes 07 de agosto de 2019 às 14:59

O presidente americano voltou a atacar a Reserva Federal (Fed) dos EUA esta quarta-feira, 7 de agosto, através da rede social Twitter. O tom voltou a ser agressivo, com Donald Trump a acusar a Fed de não perceber que os EUA vivem num mundo em que todos os outros países querem brilhar à sua custa. As declarações surgem num dia em que três bancos centrais atuaram como resposta à incerteza e instabilidade, provocadas essencialmente pela guerra comercial entre os EUA e a China.

 

"Mais três bancos centrais cortaram juros. O nosso problema não é a China – estamos mais fortes do que nunca, o dinheiro está abundante nos EUA, enquanto a China está a perder empresas aos milhares para outros países e a sua moeda está sob cerco – O nosso problema é a Reserva Federal, que é muito orgulhosa para admitir o seu erro de atuar demasiado depressa e apertar [a política monetária] demasiado (e que eu estava certo!)", salientou o presidente americano na sua conta do Twitter.

 

"Eles [Fed] devem cortar mais os juros e mais depressa e parar com o ridículo [programa] de aperto quantitativo AGORA. A curva da "yield" está com uma margem muito ampla e não há inflação!", sustentou.

 

"A incompetência é algo terrível de se ver, especialmente quando as coisas podiam ser feitas de forma muito simples. Vamos vencer de qualquer forma, mas podia ser muito mais fácil se a Fed percebesse, que não percebe, que estamos a competir contra outros países, sendo que todos querem fazer bem à nossa custa!"

 
Estas declarações surgem no dia em que Nova Zelândia, Índia e Tailândia surpreenderam o mercado, anunciando cortes de juros que superaram as previsões, num resposta ao agravar da tensão entre os Estados Unidos e a China.


Ainda na semana passada a Fed anunciou o primeiro corte de juros em 10 anos, reduzindo em 25 pontos base o preço do dinheiro nos EUA para o intervalo 2% - 2,25%. A redução foi inferior à especulada, com muitos investidores a acreditarem que o banco central ia avançar com um corte de 50 pontos.

Além disso, Jerome Powell deixou claro que o corte anunciado não era o início de um ciclo de descidas de juros.

Esta é mais uma investida de Trump, que tem tido a Fed como um dos principais alvos, argumentando que a política monetária que está a ser implementada nos EUA está a travar a economia.

 

A sua postura tem sido tão ofensiva que ainda ontem quatro ex-presidentes da Fed assinaram um texto de opinião, publicado no The Wall Street Journal, em que defendem a independência da instituição.

 

Paul Volcker, Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen recordaram que estiveram no cargo "cerca de 40 anos, nomeados e confirmados por seis presidentes, democratas e republicanos", e que cada um teve de "tomar decisões difíceis para ajudar a orientar a economia para as metas atribuídas à Fed de maximizar o emprego e estabilizar os preços".




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