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Weidmann rejeita compra de obrigações mesmo que os preços no consumidor comecem a cair

O governador do Bundesbank voltou a criticar a possibilidade de o BCE comprar títulos da dívida soberana e assegurou que o banco central que lidera não comprará obrigações de dívida mesmo no caso da taxa de inflação começar a cair.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 16 de Dezembro de 2014 às 17:45
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O governador do banco central alemão, Jens Weidmann, voltou a assumir-se como o grande opositor à vontade do Banco Central Europeu (BCE) de comprar títulos de dívida soberana e assegurou, esta segunda-feira à noite em Frankfurt, que rejeita que o Bundesbank compre obrigações mesmo que os preços comecem a cair.  

 

Segundo o Financial Times, Weidmann defende que "há todo um conjunto de razões económicas" contra um programa alargado de "quantitative easing", mesmo não considerando os obstáculos legais à compra de títulos da dívida soberana estabelecidos pelas regras europeias. Antes já referira que a política monetária do BCE é "demasiado expansionista para a Alemanha".

 

O BCE prepara-se para votar, a 22 de Janeiro, a eventual opção pela compra de títulos da dívida soberana, uma medida enquadrada pelo presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, enquanto forma de reanimar a economia da Zona Euro e elevar a inflação para uma taxa em torno dos 2%, nível considerado adequado por Frankfurt.

 

Mas apesar de a taxa de inflação se situar actualmente nos 0,3%, um mínimo de cinco anos, estando a aproximar-se perigosamente dos 0%, Weidamnn garante que tal não será resolvido com políticas monetárias expansionistas do BCE. "Tal desenvolvimento não requer uma resposta baseada em políticas monetárias, na medida em que não seriam sentidos quaisquer efeitos de segunda ordem", justificou o economista alemão.

 

De forma mais concreta, Jens Weidmann especificou que apesar de a compra de activos poder servir para elevar a inflação, "não se devem esperar milagres". Porque seria necessário "canalizar volumes significativos, até para atingir efeitos modestos e incertos".

 

Quanto à possibilidade de haver divisões no seio da comissão executiva do BCE, no que diz respeito ao reforço do orçamento da autoridade monetária, Jens Weidmann não considera que o facto de não serem vistos "todos os 'lemmings' a correr na mesma direcção" seja "assim tão mau".

 

Por fim, o líder do Bundesbank asseverou que seria menos crítico de um programa de compra de activos pelo BCE se este se baseasse na compra de dívida de países com "rating" de "AAA", como é o caso das obrigações germânicas (bunds). Porque qualquer outra opção, apenas significaria a "distribuição dos riscos entre os contribuintes dos Estados-membros".

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