Sondagem: Costa já não é o líder partidário mais popular

Catarina Martins é o líder partidário com maior índice de popularidade depois de superar António Costa. Mas mais do que uma subida da coordenadora bloquista, Catarina Martins beneficiou da grande quebra de popularidade de um primeiro-ministro prejudicado pelos incêndios.
Miguel Baltazar/Negócios
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David Santiago 10 de novembro de 2017 às 21:15

Pela primeira vez desde Maio de 2016, António Costa não é o líder partidário mais popular. No barómetro de Novembro da sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã, o primeiro-ministro e secretário-geral socialista viu a nota que lhe é atribuída pelos portugueses cair de 13,3 em Outubro para 11,0.

António Costa deixa assim de ser o líder político com maior índice de popularidade, já que Catarina Martins, ao manter a nota de 11,2 já atribuída pelos inquiridos em Outubro, recolhe agora o melhor índice de aprovação.

Costa tinha ultrapassado a popularidade da líder do Bloco de Esquerda em Abril de 2016 – momento em que o líder mais popular era Assunção Cristas, que assumira a presidência do CDS em Março desse ano – para no mês seguinte se tornar no líder mais popular, posição que manteve durante praticamente um ano e meio.

Será difícil dissociar a quebra de popularidade do primeiro-ministro dos acontecimentos dos últimos meses, em especial os incêndios de Pedrógão Grande (Junho) e o dia com mais fogos do ano (15 de Outubro), que em conjunto causaram mais de 100 mortes. Por outro lado, em 17 de Outubro o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fez um duro discurso exigindo que o Governo retirasse "todas, mas todas, as consequências" desses incidentes.

 

O índice de popularidade de António Costa desde que assumiu a liderança socialista, em Novembro de 2014, tem sido marcado por altos e baixos. Se no início como secretário-geral do PS granjeou avaliações positivas, logo a partir de Março de 2015 passou a merecer notas negativas.

Só entre Novembro de 2015 e Janeiro de 2016 é que António Costa deixou de ter uma avaliação negativa e também de ser o líder partidário mais impopular, beneficiando de uma fase muito marcada pela estabilização política subsequente às eleições legislativas de Outubro de 2015, e ao derrube do Governo PSD-CDS e posterior tomada de posse do Executivo socialista (Novembro de 2015) com apoio parlamentar da chamada geringonça.

A volatilidade na popularidade do primeiro-ministro fez-se sentir logo a seguir com a queda, de Janeiro para Fevereiro de 2016, de 13,1 para 10,8. Foi nesta altura que Bruxelas sinalizou dúvidas em relação ao primeiro Orçamento do Estado do Governo do PS, que se viu obrigado a reformular a proposta orçamental com maiores garantias de consolidação das contas públicas.

Foi já depois de, em Março, o Orçamento ter sido aprovado e de Marcelo Rebelo de Sousa ter tomado posse como Presidente da República que António Costa viu a sua popularidade aumentar, o que aconteceu logo em Abril do ano passado. No mês seguinte, o primeiro-ministro ascendeu à posição de líder com maiores níveis de aceitação junto dos portugueses, epíteto que manteve até agora.

O que retirou Costa desta posição foram dois momentos-chave. A queda registada entre Junho e Julho, na sequência de Pedrógão, e a quebra verificada entre Outubro e Novembro, após os incêndios no centro do país e as críticas feitas pelo Presidente.

Cristas volta a ter avaliação negativa

Se o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa (9,6), e o presidente cessante do PSD, Passos Coelho (5,2), mantêm avaliações negativas, a líder do CDS, Assunção Cristas, voltou a cair em terreno negativo.

Depois de no barómetro de Outubro da Aximage a líder centrista ter passado de uma nota de 7,2 para 10,5, tendo mesmo sido a líder partidária com melhor registo, o que aconteceu depois do segundo lugar alcançado nas autárquicas que decorreram no dia 1 desse mês, Assunção Cristas cai em Novembro para uma nota de 8,7, já depois de no final de Outubro ter sido chumbada a moção de censura contra o Governo apresentada pelos centristas no Parlamento.

Tiago Brandão Rodrigues substitui Urbano de Sousa como pior ministro

O ministro da Educação é para os entrevistados pela Aximage em Novembro o pior ministro do elenco governativo liderado por António Costa. Tiago Brandão Rodrigues é visto como o pior ministro por 10,8% dos inquiridos. Em Outubro, a entretanto demitida ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, era considerada a pior ministra.

O sucessor de Urbano de Sousa na Administração Interna, Eduardo Cabrita, surge perto do titular da Educação ao ser classificado por 8,1% dos entrevistados como o pior ministro. Azeredo Lopes, ministro da Defesa, destaca-se também com uma avaliação negativa por parte de 6,1%.

No pólo oposto, Mário Centeno continua a ser avaliado como o melhor membro do Governo. Além de ser o governante mais facilmente reconhecido pelos portugueses (é o primeiro nome de quem os inquiridos se recordam quando instados a nomear um ministro), o ministro das Finanças é apontado por 40,8% como o melhor ministro.