Política  António Saraiva: “Este Governo saberá encontrar equilíbrios também à sua direita”

António Saraiva: “Este Governo saberá encontrar equilíbrios também à sua direita”

À saída de uma reunião com o primeiro-ministro indigitado, o presidente da CIP manifestou a intenção de travar mudanças laborais, mas admitiu um aumento "razoável" no salário mínimo.
Catarina Almeida Pereira 10 de outubro de 2019 às 11:13

As associações patronais vão tentar travar novas mexidas na legislação laboral como as que são exigidas pelo Bloco de Esquerda em troca de um acordo para quatro anos com o PS.

No final de uma reunião com o primeiro-ministro, António Saraiva apelou à estabilidade política e à paz social, mostrando-se despreocupado com a nova configuração do Parlamento e admitindo que António Costa se possa por vezes aliar ao PSD.

"É de facto um parlamento novo mas a força política desses novos agentes não é em número suficiente em termos de deputados para desequilibrar a balança", disse. "Há partidos de centro direita, nomeadamente o PSD, que não está ausente do Parlamento" e que terá uma atitude "responsável".

 

"Não podemos olhar só para equilíbrios ou desequilíbrios de esquerda. Este Governo saberá encontrar equilíbrios também à sua direita. As maiorias parlamentares têm geometria variável quer à esquerda quer à direita", referiu, em declarações transmitidas pelas televisões.

Rui Rio, que ainda há três meses viabilizou a nova lei laboral no Parlamento, tem mostrado disponibilidade para aprovar reformas estruturais com o PS. António Costa, pelo contrário, tem afastado essa ideia.

Patrões vão tentar travar alterações laborais

O Bloco de Esquerda é o único partido que se disponibiliza para garantir uma maioria estável, ao longo de quatro anos, ao PS. Na noite eleitoral Catarina Martins elencou as condições que quer ver plasmadas no programa do Governo.

À cabeça estão três medidas laborais que o PS tem vindo a chumbar no Parlamento, até porque foram aprovadas durante o programa de ajustamento: a reposição do valor das compensações por despedimento, a reposição dos 25 dias de férias e a reposição do pagamento da horas extraordinárias.

A mensagem das associações patronais é clara: "A legislação laboral que temos é mais que suficiente para que o país desenvolva as suas atividades económicas com tranquilidade", disse António Saraiva, repetindo a ideia que na véspera João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), tinha defendido na SIC.

O presidente da CIP usou os resultados eleitorais para concluir que o país "não chancela" as ideias do BE ou do PCP. "Recordo-vos que os partidos que mais quiseram promover as alterações laborais tiveram perdas significativas nas últimas eleição. O PCP teve menos 115 mil votos, o BE teve 57 mil", disse. "Independentemente da vontade do partido A ou do partido B é em eleições que o povo português chancela ou não essas ideias".

Salário mínimo aumenta "em bases razoáveis"

António Saraiva mostra-se disponível para discutir o aumento do salário mínimo nacional em bases "razoáveis", num processo semelhante ao dos últimos quatro anos.

"Sempre estivemos disponíveis como sabe, ano após ano, evoluir no salário mínimo, não podemos é evoluir por decreto ou em condições que a economia não suporte", referiu, sublinhando que deve ser considerada a produtividade, a inflação, e o combate á pobreza, com "rigor" e "razoabilidade".

"O salário mínimo será seguramente aumentado em bases razoáveis como o foi na legislatura anterior", conclui

O PS propôs no seu programa eleitoral "negociar em concertação social um acordo de médio prazo sobre salários e rendimentos que inclua "a trajetória plurianual de atualização real do salário mínimo nacional, de forma "faseada, previsível e sustentada", que tenha em conta a evolução global dos salários e dos indicadores económicos", sem referir valores.

O PSD propõe uma subida para os 700 euros, o Bloco de Esquerda quer um aumento não inferior ao da última legislatura – 5% ao ano – o PCP propõe a meta de 850 euros sem dizer para quando, o PAN quer um aumento de 50 euros por ano (até aos 800 euros) e o Livre propõe que o salário mínimo se fixe nos 900 euros.

Notícia atualizada às 11:32 com a informação sobre o salário mínimo.









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