Política 5 Estrelas e Liga deixam cair pedido de perdão de dívida. Bolsa sobe e juros aliviam

5 Estrelas e Liga deixam cair pedido de perdão de dívida. Bolsa sobe e juros aliviam

A bolsa italiana está a recuperar parte das fortes perdas e os juros da dívida estão a aliviar de máximos de Outubro, depois de o 5 Estrelas e a Liga terem deixado cair a exigência de um perdão de dívida.
5 Estrelas e Liga deixam cair pedido de perdão de dívida. Bolsa sobe e juros aliviam
EPA
Rita Faria 17 de maio de 2018 às 10:45

O Movimento 5 Estrelas e a Liga, que prosseguem as negociações com vista à formação de um governo de coligação em Itália, já estão a fechar o programa de governo, que deixa cair o pedido de perdão de dívida de 250 mil milhões de euros ao BCE, prevê cortes nos impostos, uma reforma das pensões e a exigência de uma revisão dos tratados europeus.

A notícia de que os partidos anti-sistema pretendiam exigir um cancelamento da dívida aumentou a apreensão nos mercados na sessão de ontem, levando a bolsa de Itália para mínimos de um mês e os juros da dívida a dez anos para o nível mais alto desde Outubro.

Esta reacção do mercado levou Salvini a acusar os investidores de tentar "chantageá-los", desfazendo-se de activos italianos, enquanto tentam formar um novo governo. "Eles estão a tentar travar-nos com a habitual chantagem da subida dos ‘spreads’, da queda das bolsas e das ameaças europeias", afirmou o líder da Liga, citado pelo Financial Times.

Esta quinta-feira, a bolsa de Milão já está a recuperar, em linha com a tendência positiva das congéneres europeias, e a yield das obrigações a dez anos está a recuar 1,5 pontos para 2,101%.

Segundo a Bloomberg, que cita fonte oficial do 5 Estrelas, Luigi di Maio e Matteo Salvini (na foto), os líderes das duas forças políticas estão reunidos esta quinta-feira de manhã para rever alguns pontos do programa, nomeadamente os que dizem respeito à União Europeia, défice orçamental, a flat tax e as questões relacionadas com a imigração. Di Maio e Salvini também vão prosseguir com as negociações sobre o nome a apresentar para o cargo de primeiro-ministro.

O documento de 39 páginas que contém o programa de governo deixa cair o pedido de perdão de dívida, mas diz que as obrigações que já foram adquiridas pelo BCE no âmbito do programa de compra de activos não devem contar para o rácio da dívida em relação ao PIB, como foi avançado pelo Corriere della Sera e confirmado por uma fonte do 5 Estrelas.

Segundo a Bloomberg, o esboço inclui uma promessa de rever os tratados europeus, mas não faz referência ao euro. Também pede uma revisão da contribuição de Itália para o orçamento da UE com o objectivo de a "tornar compatível" com os planos económico e orçamental do governo.

Além disso também promete um "rendimento de cidadania" para os pobres, que será proposto em 2019, e a reversão da reforma das pensões realizada em 2011. Outros pontos incluem cortes de impostos, "retirada imediata" das sanções contra a Rússia e fortes restrições à imigração.




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