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Acordo à esquerda ultrapassa margem de manobra do país, diz Augusto Mateus

O economista e ex-ministro Augusto Mateus diz que é fundamental que o próximo Governo aposte na internacionalização e inovação da economia. E considera que o acordo do PS com a esquerda vai além da margem de manobra de que o país dispõe.

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Augusto Mateus, ex-ministro da Economia, encerrou esta quinta-feira a ronda de audições de economistas junto do Presidente da República. O agora economista, conhecido por ter criado o "Plano Mateus", considera que o acordo à esquerda ultrapassa a margem de manobra conquistada por Portugal. Trata-se de um "acordo que vai num sentido hiper-valorizador da margem de manobra que conquistámos", assinalou.

 

"É um acordo que vai muito no sentido de que temos mais margem de manobra do que temos" de facto, acrescentou Augusto Mateus, que realçou o facto de se tratar de um entendimento "apenas para dar oportunidade de governar" ao PS. O programa do Governo dos socialistas é também "muito polarizado pelo Orçamento do Estado e pela política financeira, e pouco pelos outros aspectos da economia", nomeadamente "investimento e inovação".

 

Para Augusto Mateus, o crescimento económico não resulta "do aumento do consumo", mas sim da "da internacionalização da economia e da adopção de novos factores competitivos". A seguir a essa internacionalização, "tem que haver mais rendimento e consumo que vai desenvolver a qualidade de vida das pessoas, mas que é uma consequência da economia".

 

Ou seja, "é errado colocar o mercado interno como chave do nosso crescimento; a chave é investir na internacionalização e em novos factores competitivos, daí ser absolutamente crucial a política económica" no próximo Governo.

Ainda assim, um Governo, mesmo que do PS, "terá sempre legitimidade democrática. Teremos sempre um governo legítimo", antecipa. Mesmo que seja um Governo de gestão, infere-se.

 

Investimento deve ser a prioridade

 

O foco do Governo deve, pois, ser o investimento. "Continuamos com problemas de crescimento, com défice público e externo", por isso "é tempo de colocar o investimento competitivo como a nossa grande prioridade". "Precisamos de uma economia assente em factores competitivos mais sólidos, e isso tem que assentar em inovação" e numa "maior capacidade na concepção de produtos e serviços", aponta o economista.

 

Reconhecendo que "este ajustamento podia ter sido menos financeiro, com muito mais atenção à economia" e que "podia ter sido mais inteligente e mais equilibrado socialmente", esta não é altura de olhar para o passado. "Temos que nos concentrar no futuro" e "equilibrar a dimensão financeira e económica" do ajustamento.

 

Augusto Mateus considera necessário que haja "regras simples claras e estáveis" a nível da fiscalidade. E por isso "manteria a convergência no IRC".

O Presidente vai ainda ouvir, esta quinta-feira, o governador do Banco de Portugal e o primeiro-ministro.

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