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Altos nomes do CDS distribuem elogios ao líder e apontam para as portas de Belém

Com o Congresso centrista no fim-de-semana, João Almeida e Pires de Lima apontaram Paulo Portas para a Presidência da República. Numa semana de fortes elogios ao vice-primeiro-ministro, os responsáveis do CDS afirmam que Portas já superou o episódio da demissão "irrevogável". "É o melhor líder que o CDS já teve", sublinhou Paulo Núncio. Anacoreta Correia é a voz da contestação e espera que o Congresso do fim-de-semana não se resuma a elogios ao líder.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 10 de Janeiro de 2014 às 14:10
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Em antecipação ao Congresso do CDS deste fim-de-semana, os elogios a Paulo Portas têm sido vastos. São inúmeras as entrevistas de responsáveis centristas com declarações positivas sobre o líder. Em algumas delas, chega-se a falar da possibilidade de Portas vir a candidatar-se a Presidente da República.

 

António Pires de Lima, o empresário que Portas levou para o Governo para chefiar a pasta da Economia, respondeu, numa entrevista ao “Público”, a uma eventual candidatura presidencial. “Mas por que não? É uma possibilidade. Não sei se a mais provável”, começou por dizer.

 

“Por que é que Paulo Portas, que tem um trajecto político que é conhecido, que tem provas dadas na governação em circunstâncias diferentes, e todas elas muito exigentes, não há-de poder ser um bom candidato a Presidente da República, quando assim o entender?, questionou-se o ministro da Economia na referida entrevista. As próximas eleições presidenciais são em 2016, sendo que os sufrágios que se seguem são em 2021 e 2026.

 

Na verdade, ele já actua de uma forma presidencialista, segundo Pires de Lima. Neste caso, no partido. “Tem as suas características, exerce a sua função de uma forma presidencialista, embora muito próximo das pessoas, mas algo centralizador”, comentou o antigo líder da Unicer. Na mesma entrevista, Pires admitiu que o CDS “depende muito” de Portas.

 

João Almeida e o “sim” a Belém e a São Bento

 

Esta sexta-feira, foi já publicada uma entrevista com outro governante centrista em que João Almeida, recém-empossado secretário de Estado da Administração Interna, considera “perfeitamente possível” uma candidatura presidencial. À agência Lusa, Almeida afirmou, contudo, que não é provável que tal aconteça já em 2016.

 

O ainda porta-voz do CDS acrescenta que Portas se deverá candidatar, sim, nas próximas legislativas, em 2015. “Seria incompreensível que no final da legislatura, fazendo-se um balanço positivo, que, fosse uma opção de coligação ou de candidatura do CDS com listas autónomas, que Paulo Portas não estivesse nessa eleição a liderar o partido”. “Não vejo como provável essa hipótese e acho que o mais provável é que haja uma candidatura de Paulo Portas no próximo congresso do partido", adiantou ainda João Almeida à “Lusa”.

 

Demissão “irrevogável” já não afecta

 

Estas entrevistas foram proferidas na semana que antecedeu o 25º Congresso do CDS, a ocorrer este fim-de-semana em Oliveira do Bairro. “Espero que o congresso seja um importante momento de afirmação das ideias do CDS e de afirmação da liderança protagonizada por Paulo Portas”, disse também Diogo Feio, deputado ao Parlamento Europeu pelos centristas, que também falou esta sexta-feira ao jornal “i”.

 

Questionado sobre se o CDS já terá recuperado a credibilidade perdida com o episódio da demissão “irrevogável” de Paulo Portas, entretanto retirado, Feio sublinhou que nunca teve a ideia de que “alguma vez o CDS tenha tido um problema de credibilidade”.

 

Já na semana passada, Paulo Núncio tinha falado nesse sentido. “Aquilo que Paulo Portas já deu ao país é muito mais importante do que um episódio que já está resolvido”, salientou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, acrescentando que Portas deveria continuar como líder do CDS “por muitos mais anos”.

 

“O Dr. Paulo Portas é o melhor líder que o CDS e o centro-direita em Portugal alguma vez tiveram. E o país deve-lhe muito. É a ele que se deve a refundação da direita e do centro-direita em Portugal. Até Paulo Portas vagueavam num centrismo envergonhado, cinzento, desvitaminado. E é com ele que ganham identidade, espaço político e capacidade de governação. Hoje, com a liderança de Paulo Portas, o CDS é um partido dinâmico, com quadros preparados e imprescindível para uma solução governativa do centro-direita”, disse Núncio ao jornal “Sol”, uma semana antes do congresso de Oliveira do Bairro.

 

A voz dissonante

 

“Há quem queira fazer deste congresso uma assembleia aclamatória, o que é negativo”, comenta Filipe Anacoreta Correia, conselheiro nacional do partido. Portas, que apresenta a moção "A" e se candidata ao partido, disse à Renascença que pretende falar do episódio da demissão.

 

O Congresso que se realiza este fim-de-semana estava marcado para Julho de 2013 mas acabou adiado, primeiro para Outubro e depois para Janeiro, devido à crise política que provocou. Na óptica do CDS, a crise política resultou numa remodelação governamental em que Portas transitou de número três para número dois do Governo, ocupando o cargo de vice-primeiro-ministro. Além disso, os centristas alargaram o poder sobre os assuntos económicos, dado que Pires de Lima entrou para ministro da Economia.

 

“Há quem queira fazer deste congresso uma assembleia aclamatória, o que é negativo”
 
Filipe Anacoreta Correia, conselheiro nacional CDS.

 

Anacoreta Correia, que não descarta uma candidatura em oposição a Portas, fala esta sexta-feira ao “Diário de Notícias” sobre a moção "H", em que apresenta propostas como a “possibilidade de haver cadeiras vazias no Parlamento (correspondentes aos votos em branco), a diminuição do número de deputados” ou a “redução efectiva dos municípios”.

 

"Caso não haja abertura, sujeitaremos as nossas propostas a votos e retiraremos daí todas as consequências", avisa. O conselheiro nacional do partido vai apresentar a moção e a sua expectativa “é que o CDS se abra a elas”. “Se o fizer, a questão da [contestação] da liderança [de Portas] fica superada”. 

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