Política Amigo de António Costa dará explicações ao parlamento no fim do mês

Amigo de António Costa dará explicações ao parlamento no fim do mês

Diogo Lacerda Machado tem colaborado pro bono na intermediação do caso da TAP, dos lesados do BES e do BPI. A oposição pediu para ouvir o advogado que é administrador da Geocapital e que acaba de assinar um contrato de prestação de serviços com o Estado. A audição está marcada para 27 deste mês, avança o Expresso.
Amigo de António Costa dará explicações ao parlamento no fim do mês
REUTERS
Negócios 11 de abril de 2016 às 19:07

O advogado Diogo Lacerda Machado vai ser ouvido no Parlamento no dia 27, a propósito do seu envolvimento no processo de reversão da privatização da TAP e do contrato de prestação de serviços que fez com agora com o Estado. A data está a ser avançada pelo Expresso, que cita o presidente da comissão parlamentar de Economia, Helder Amaral, deputado do CDS-PP.

Já em Março, na sequência de uma iniciativa de deputados do PSD, a comissão de Economia decidira por unanimidade chamar o antigo secretário de Estado, que o primeiro-ministro António Costa diz ser o seu "melhor amigo", para prestar esclarecimentos sobre o processo de privatização da TAP. Os social-democratas queriam então saber em que qualidade se apresenta o que é tido como o negociador do Estado neste processo, "quais foram as contrapartidas dadas aos accionistas da Gateway" no âmbito do acordo de reversão da venda dos 61% da TAP ao consórcio Gateway de Humberto Pedrosa e David Neeleman, uma vez que consideram que esse processo foi feito com "opacidade e falta de transparência".

A bancada do PSD quer ainda perceber como está prevista a entrada de investidores chineses na TAP que, segundo o jornal Público, têm relações formais com o empresário Stanley Ho que Lacerda Machado representa. Agora, querem também conhecer o contrato de prestação de serviços que o advogado acaba de assinar com o Estado.

No fim de semana, em entrevista ao DN, António Costa afirmou que Lacerda Machado tem-no ajudado pro bono como "melhor amigo" que é, e que o representou informalmente em várias negociações sensíveis, designadamente na TAP, também no caso dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo, assim como no BPI, nas reuniões entre Isabel dos Santos e o La Caixa.

Sob críticas do PSD, e também dos média, Costa acabou de assinar um contrato com Lacerda Machado para que este continue nessas reuniões, mas já como representante do Governo, explica a TSF. O primeiro-ministro, mesmo assim, lamenta. "Olhe, assinámos um contrato. As pessoas extraordinariamente achavam que não haver nenhuma despesa do Estado com o tempo dedicado pelo dr. Diogo Lacerda Machado..." E não será melhor, mais transparente, mais responsabilizável esse representante do primeiro-ministro? À pergunta da TSF e DN, António Costa respondeu: "Acho simplesmente mais caro para o Estado. Acho simplesmente, devo dizer, dinheiro que podia não ser gasto. Ele felizmente tem podido colaborar e continuará a colaborar, em diferentes dossiês onde a sua expertise negociar tem ajudado a resolver bastantes problemas".

A situação informal de Lacerda Machado foi alvo de fortes críticas do PSD, que o chamou até ao Parlamento pelo seu papel nas negociações que levaram à venda de 16% da TAP pelo novo acionista privado, fazendo com que o Estado ficasse com 50% da companhia aérea.  Escreve a Visão, que Lacerda Machado é administrador da Geocapital, empresa de Stanley Ho (magnata chinês, dono do Casino Estoril), de Ambrose So (membro do comité de relações internacionais do Conselho Consultivo do Povo Chinês) e de Jorge Ferro Ribeiro. A Geocapital investe em Macau, em Portugal e nos PALOP, e detém as participações nos bancos africanos onde Diogo Lacerda tem altos cargos. Há 10 anos, a empresa de Stanley Ho foi também parceira da TAP na compra da brasileira VEM, o negócio de engenharia e manutenção da Varig que se revelou ruinoso para as contas da TAP que, desde 2007, terá perdido mais de 500 milhões de euros com aquela unidade de negócio. "Agora, encontramos Diogo do outro lado da barricada, ou seja, não do lado dos privados mas do público, ao negociar com David Neeleman e Humberto Pedrosa a reversão de uma parte da TAP, de volta para o Estado", acrescenta a Visão.

Nas últimas semanas, Lacerda Machado apareceu também a representar Costa nas negociações do caso dos lesados do GES e no BPI, duas matérias onde o Estado não está directamente envolvido, mas em que o primeiro-ministro se quis envolver.

Nesta entrevista à TSF e ao DN, Costa diz que só por "razões pessoais" Lacerda Machado não integrou o Governo. E garante que confia plenamente na sua capacidade para ajudar a desbloquear problemas. É um mediador e conciliador "bastante apreciado pelos diferentes intervenientes"; por isso, "sempre que entender que é util e ele estiver disponível ainda bem que posso contar com ele", acrescenta.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI