Política Angola rejeita "ideias difundidas em Portugal" de que terá um resgate

Angola rejeita "ideias difundidas em Portugal" de que terá um resgate

"Angola sem um 'resgate' do FMI" é o título de uma notícia secundária do Jornal de Angola. O governo angolano rejeita "as ideias difundidas em Portugal de que se trata de um plano de 'resgate'".
Angola rejeita "ideias difundidas em Portugal" de que terá um resgate
Reuters

A inauguração de uma estrada no sul do País é a notícia mais destacada na primeira página desta quinta-feira do Jornal de Angola, que torna o pedido de intervenção ao Fundo Monetário Internacional, divulgado esta quarta-feira, num facto secundário. "As autoridades angolanas refutam as ideias difundidas em Portugal de que se trata de um plano de "resgate", pode ler-se no final de um texto que traduz, essencialmente, a posição do ministério das Finanças. 

"Angola sem um 'resgate' do FMI", é o título da notícia à direita da primeira página. O texto consiste quase exclusivamente na transcrição de um comunicado do ministério das Finanças, que destaca a necessidade de diversificar a economia - elegendo a agricultura, as pescas e as minas como setores de referência – de "simplificar" o sistema fiscal, alargando a base tributária, e de melhorar "a transparência das finanças públicas e do sector bancário".

 

O artigo termina com uma frase que não consta do comunicado divulgado esta quarta-feira. "As autoridades angolanas refutam as ideias difundidas em Portugal de que se trata de um plano de 'resgate'", lê-se no final do texto.

A mesma ideia é divulgada na primeira página do jornal "O país". "FMI apoia Angola sem haver resgate", lê-se na manchete.

Vários orgãos de comunicação social dão conta esta manhã de uma "nota de esclarecimento" enviada pelo ministério das Finanças Angolano à agência Lusa, aludindo às "interpretações difusas veiculadas por órgãos da comunicação social angolana e portuguesa" que "revelam algum desconhecimento do 'novo normal' decorrente do processo de ajustamento da economia nacional, com tendência resiliente".

A nota refere que o que o governo angolano pediu foi para beneficiar do  Programa de Financiamento Ampliado (Extended Fund Facility - EFF), um instrumento "direccionado a reformas estruturais voltadas para a diversificação da economia, reforço da balança de pagamentos, com propósito cimeiro de fortalecer os pilares da sustentabilidade da nossa economia" e "ao contrário de programas de austeridade como por exemplo os programas para resgates económicos".

De acordo com a informação disponível na página oficial do FMI, o Programa de Financiamento Ampliado distingue-se por ter "uma duração mais longa" que a maioria dos outros acordos do FMI – em regra de três anos, mas podendo durar quatro  – e um "prazo de amortização mais longo", de quatro anos e meio a dez anos.

"Quando um país enfrenta graves problemas de médio prazo no balanço de pagamentos por causa de deficiências estruturais cuja resolução exige tempo, o FMI apoia o processo de ajuste por intermédio de um Programa de Financiamento Ampliado (EFF). Em comparação à assistência prestada no contexto do Acordo Stand-By, a assistência no âmbito de um acordo ampliado difere por envolver um programa de maior duração — para ajudar os países a implementar reformas estruturais de médio prazo — e um prazo de amortização mais longo", lê-se na nota que resume as características do programa.

Pedido de ajuda ao FMI vai ser positivo para Angola?
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O Fundo Monetário Internacional revelou esta quarta-feira, 7 de Abril, que o Governo Angolano apresentou um pedido formal "para iniciar negociações sobre um programa económico que possa ser suportado por assistência financeira do FMI".

"O FMI está pronto para ajudar Angola a enfrentar os actuais desafios económicos, com um pacote de políticas abrangentes para acelerar a diversificação da economia, salvaguardando a estabilidade macroeconómica e financeira", acrescentou o comunicado da instituição sedeada em Washington, cidade onde vão arrancar as primeiras negociações.

O programa de assistência, motivado essencialmente pelas consequências da queda do preço do petróleo, deverá ter a duração de três anos. O economista-chefe da consultora Eaglestone antecipa que deverá rondar os 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros). 

Notícia actualizada pela última vez às 10:03 com mais informação 




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