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Antigo tesoureiro do PP espanhol garante ter dado “dinheiro vivo” a Rajoy

Luis Bárcenas, que está a ser ouvido em tribunal no âmbito do processo sobre contabilidade paralela do PP, revelou ser o autor dos documentos divulgados pela imprensa. Bárcenas garantiu ainda ter dado dinheiro em “cash” a Mariano Rajoy e a Maria Dolores de Cospedal entre 2008 e 2010.

Bloomberg
Inês Balreira inesbalreira@negocios.pt 15 de Julho de 2013 às 16:23
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O antigo tesoureiro do Partido Popular (PP) espanhol, Luis Bárcenas, garantiu esta segunda-feira ter dado dinheiro a Mariano Rajoy, presidente do Governo de Espanha, e à secretária-geral do partido, María Dolores de Cospedal entre 2008 e 2010.

 

“Entreguei dinheiro vivo a Rajoy e Cospedal em 2008, 2009 e 2010”, afirmou Bárcenas, citado pelo “El Mundo”.

 

Luis Bárcenas, que está a ser ouvido esta segunda-feira em tribunal no âmbito da alegada contabilidade paralela do PP, reconheceu ser o autor dos documentos que têm vindo a ser divulgados pelo “El País” e pelo “El Mundo”.  O antigo tesoureiro entregou ainda ao juiz outros documentos sobre as contas do partido que revelam pagamentos não declarados a várias figuras do partido.

 

Sobre os pagamentos a Rajoy e Cospedal, Bárcenas revelou ainda que em 2010 o montante ascendeu a 25 mil euros e que o pagamento de Cospedal foi feito com notas de 500 euros.

 

Este domingo, o “El Mundo” publicou vários SMS que indicam que o actual presidente do Governo espanhol manteve contacto directo, de pelo menos dois anos, com o antigo tesoureiro do partido, e onde Rajoy pedia silêncio a Bárcenas sobre a alegada contabilidade paralela do PP.

 

No seguimento da notícia, o secretário-geral do PSOE, Alfredo Rubalcaba exigiu a demissão imediata de Mariano Rajoy, anunciando uma ruptura de relações com o PP.

 

Em resposta, o presidente do Governo de Espanha garantiu esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa com o primeiro-ministro da Polónia, afirmou que não se vai demitir nem submeter a chantagens. “Cumprirei o mandato que me foi dado pelos espanhóis, disse Rajoy, cita o “El Mundo”. “O Estado de Direito não se submete a chantagem”, afirmou, indicando que a justiça vai continuar a fazer o seu trabalho “sem nenhuma pressão”, “indicação” ou “ingerência”.

 

Sobre os alegados pagamentos que Bárcenas agora confirmou, Rajoy voltou a negar ter cometido qualquer ilegalidade, afirmando apenas que irá “entrar em detalhes nem polemizar com ninguém”. O presidente do Governo espanhol afirmou ainda que “não se pode esperar que um presidente desminta ou comente, a cada dia, todas as insinuações, rumores e informações interessadas que se produzem”.

 

O escândalo da contabilidade paralela do PP começou em Janeiro, quando o “El País” divulgou vários documentos de Bárcenas, com datas compreendidas entre 1990 e 2008, que indicavam a existência de uma contabilidade irregular no seio do partido. Luis Bárcenas foi tesoureiro do PP durante quase duas décadas e registava em vários cadernos alegados pagamentos a altas figuras do partido.

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