Política António Costa diz "não" aos que condenam o país aos baixos salários

António Costa diz "não" aos que condenam o país aos baixos salários

Na comemoração do 43º aniversário do PS, o primeiro-ministro garantiu que os socialistas estarão na linha da frente do combate aos que dizem que "não nos desenvolveremos porque estamos condenados a viver num país de pobreza e baixos salários".
António Costa diz "não" aos que condenam o país aos baixos salários
David Santiago 19 de abril de 2016 às 19:37

"Nós dizemos que não", atirou António Costa dirigindo-se ao PSD, à Comissão Europeia e, possivelmente, também ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que, no entender do primeiro-ministro, se têm destacado entre aqueles que acham que Portugal deve ser um país pobre e de baixos rendimentos.

 

Num discurso proferido no Largo do Rato, no âmbito da comemoração do 43º aniversário da fundação do Partido Socialista, na Alemanha, o secretário-geral socialista garantiu que o partido travará uma "batalha permanente pela igualdade, que travamos desde o 25 de Abril [de 1974] e que temos de continuar a travar".

 

Ora, para António Costa este combate assume especial importância num momento em que "vemos alguns, cá dentro e lá fora, a dizer que nós não nos desenvolveremos porque estamos condenados a viver num país de pobreza e baixos salários".

 

O "não" do primeiro-ministro parece claramente dirigido ao PSD, que "cá dentro" tem apontado para o perigo e eventuais consequências negativas relacionadas com o aumento do salário mínimo nacional (SMN), e também à Comissão Europeia, que "lá fora" ainda recentemente avisou que se irá opor a novos aumentos do rendimento mínimo.

 

Recorde-se que depois de assumir funções em Novembro do ano passado, o Executivo liderado por António Costa, e apoiado no Parlamento pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP e pelos Verdes, elevou o SMN de 505 para 530 euros mensais, comprometendo-se ainda a aumentar o rendimento mínimo para os 600 euros até 2019.

"Em todos os momentos estaremos do lado certo da luta pela coesão social", disse António Costa, que assegurou que "continuamos a estar certos quando dizemos que é apostando na qualificação" que o país poderá crescer e convergir com as restantes economias europeias.

 

Depois de concluída a terceira avaliação pós-programa de assistência financeira da troika, a Comissão Europeia defendeu, esta segunda-feira, que os aumentos do salário mínimo previstos pelo Governo português vão ter um impacto negativo não apenas no emprego mas também na competitividade externa do país. Em resposta, já esta terça-feira, o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, respondeu a Bruxelas dizendo que o Governo demonstrará que existe margem de manobra para o aumento do SMN.

 

Também o FMI tem vindo sistematicamente a demonstrar a sua oposição à políticas do Executivo de António Costa no que diz respeito ao SMN. Num documento publicado pela instituição sedeada em Washington, já em Abril, o FMI apontava o dedo à "reversão" de reformas estruturais encetada pelo Executivo aludindo, entre outras, ao "aumento do salário mínimo".

Programa Nacional de Reformas vai "surpreender"

 

O primeiro-ministro guardou algumas palavras para elogiar o Programa Nacional de Reformas (PNR) que António Costa disse que será aprovado já na próxima quinta-feira.

 

"Muitos terão uma surpresa quando esse programa for aprovado", disse Costa, que lembrou que aquando da aprovação do PNR "muitos desvalorizaram porque não tinha medidas concretas". Contudo, António Costa afiançou que não apenas terá "medidas", mas também um "calendário de execução e quantificação das metas". Na semana passada, o CDS criticou precisamente um conjunto de deficiências, ou omissões, detectadas no PNR apresentado pelo Governo, apontando, por exemplo, a inexistência de metas quantificadas. 

 

Naturalmente, parte do discurso do líder socialista incidiu na vida e obra do PS ao longo da sua história de vida. Costa fez questão de destacar o partido que tudo fez para "dotar o país duma organização política que se regresse pelos valores da liberdade, democracia e socialismo".

 

De seguida Costa agradeceu, elencando um a um, por ordem cronológica de desempenho do cargo, todos os secretários-gerais do PS, a quem o primeiro-ministro enviou um "grande abraço" e agradeceu tudo o "que deram ao partido nestes 43 anos".

 

Apesar de todos terem sido convidados, apenas Eduardo Ferro Rodrigues, actualmente presidente da Assembleia da República, foi o único a comparecer aos festejos do aniversário. Costa fez ainda uma menção especial ao ex-presidente honorário do partido e recentemente falecido Almeida Santos.

(Notícia actualizada pela última vez às 20:00)




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