Política António Costa: Com este Governo não haverá compromisso, conciliação, convergência ou outro sinónimo

António Costa: Com este Governo não haverá compromisso, conciliação, convergência ou outro sinónimo

O secretário-geral do PS insistiu esta quarta-feira que em relação ao actual Governo e à maioria PSD/CDS não haverá a mínima hipótese de compromisso, conciliação, convergência ou "qualquer outro sinónimo" existente num dicionário de língua portuguesa.
António Costa: Com este Governo não haverá compromisso, conciliação, convergência ou outro sinónimo
Miguel Baltazar
Lusa 27 de maio de 2015 às 19:43

António Costa fez estas afirmações depois de ter estado reunido com o dirigente social-democrata germânico e ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, nos jardins do Goethe Institut, em Lisboa - encontro que durou cerca de hora e meia.

 

Confrontado pelos jornalistas com o repto da ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para que haja um compromisso entre PS e Governo para a sustentabilidade da Segurança Social, António Costa respondeu: "Quantas vezes ao dia temos de dizer que não faremos nenhum consenso com o actual Governo e com as suas políticas. E não vale a pena insistirem nessa pergunta, porque nos perguntam isso três vezes ao dia e nós respondemos sempre mesma coisa: Não haverá qualquer tipo de compromisso, convergência ou conciliação, qualquer sinónimo que seja encontrável no dicionário da língua portuguesa para nós compartilharmos a continuidade da política da coligação de direita", afirmou.

 

Interrogado sobre o contraste da facilidade com que se celebram acordos entre os principais partidos no sistema político alemão, juntando num mesmo Governo conservadores e sociais-democratas, o líder socialista sustentou a tese de que "cada país é o seu país".

 

"Como se sabe, em Portugal, não há a menor condição para haver um Governo PS/PSD, pela simples razão que têm políticas absolutamente alternativas. A coligação de direita quer a continuidade da austeridade e nós queremos virar a página da austeridade", justificou.

 

Questionado sobre as mais recentes posições defendidas por Maria Luís Albuquerque sobre o futuro do sistema de pensões em Portugal, o secretário-geral do PS considerou que a titular da pasta das Finanças faz uma "confusão entre aquilo que chama de sustentabilidade da Segurança Social e a sustentabilidade das famílias portuguesas".

 

"Aquilo que a ministra apresenta é uma vez mais um novo corte no rendimento das famílias, prolongando os cortes aos funcionários públicos até ao final da próxima legislatura [2019] e sobrecarregando os portugueses com a manutenção da sobretaxa de IRS. E propõe agora um novo corte de 600 milhões de euros para os pensionistas. Isto significa sacrificar ainda mais os rendimentos dos portugueses", criticou.

 

António Costa traçou depois um cenário de inconciliação entre PS e Governo em relação às vias a adoptar para o sistema de Segurança Social.

 

"O que a ministra das Finanças propõe é cortar pensões aos pensionistas e aquilo que o PS propõe é diversificar as fontes de financiamento para reforçar o sistema de Segurança Social. Já dissemos categoricamente que não cortaremos as pensões atuais e garantiremos o reforço da capacidade de financiamento da Segurança Social. Os portugueses têm a felicidade de escolher dois caminhos alternativos bastante claros", concluiu o líder socialista.

 

Em relação ao encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, o secretário-geral do PS disse que as suas propostas para o país e União Europeia tiveram boa receptividade"

 

"O que não é uma novidade, porque tenho trabalhado com o vice chanceler alemão [e líder do SPD, Sigmar Gabriel]. O que nós propomos não é a continuidade ou o caos, mas antes terminar com o caos da austeridade e devolver confiança à sociedade portuguesa, tendo como base uma alternativa de confiança, com reforço da nossa participação no euro", salientou António Costa, já depois de ter reiterado a sua tese de que há "um novo clima na União Europeia" contrário ao modelo da austeridade.

(Notícia actualizada às 20h02 com mais informação)




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