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António Costa: Há mais Europa para além da troika e mais Alemanha para além de Merkel

O presidente da Câmara de Lisboa considerou este sábado que há mais Europa para além da troika e mais Alemanha para além de Merkel e defendeu a renegociação do memorando para evitar a morte do devedor.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 27 de Abril de 2013 às 15:03
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Este segundo dia do XIX Congresso Nacional do PS foi aberto por uma intervenção do presidente do Parlamento Europeu e dirigente social-democrata germânico, Martin Schulz.

 

Um discurso que serviu depois ao dirigente socialista António Costa para tentar demonstrar a tese de que se impõe a renegociação do memorando da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) e que há uma alternativa para Portugal no contexto europeu.

 

"Ouvimos aqui hoje o nosso camarada Martin Schulz. Há mais Europa para além da troika, há mais Alemanha para além de Merkel", disse, recebendo palmas dos congressistas socialistas, numa alusão crítica à actuação da chanceler germânica Ângela Merkel.

 

No plano europeu, António Costa afirmou que "Portugal não pode capitular na defesa do interesse dos outros" e, pelo contrário, tem de bater-se pela imprescindível renegociação do memorando, alegando que nenhuma das metas propostas foi atingida.

 

A seguir, Costa argumentou que essa renegociação não só é necessária, como também é muito possível.

 

"Nenhum credor quer a morte do devedor. Qualquer credor quer que o devedor esteja de boa saúde e produza o rendimento suficiente para sobreviver e para ter o excedente necessário para pagar o que deve", advogou.

 

Num discurso de caráter programático, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu a estabilização da economia, através da recuperação do setor da construção com um plano de reabilitação urbana e através da dinamização do mercado interno com medidas como o aumento do salário mínimo e a redução do IVA da restauração.

 

António Costa advertiu neste contexto que Portugal tem de negociar e aplicar de forma diferente o próximo programa de fundos comunitários.

 

Os fundos comunitários, de acordo com a sua conceção, têm de servir de base de investimento e para atacar os problemas estruturais que "minam" a competitividade da economia portuguesa.

 

Nesse sentido, propôs duas frentes territoriais: uma do litoral com capacidade competitiva no mercado transatlântico, e uma zona fronteiriça com vocação para o mercado ibérico.

 

"Nesse mercado ibérico, nós não somos interior mas sim centrais, porque estamos no centro do mercado da Península Ibérica. Não há nada mais inteligente do que mobilizarmos os fundos comunitários para um grande programa de empreendedorismo e de empregabilidade, sobretudo dirigida à geração mais qualificada em Portugal", advogou.

 

Outra ideia apresentada por António Costa relacionou-se com a celebração "de um grande acordo estratégico de concertação", capaz de resolver os impasses políticos (reforma do sistema político), estabilizar o quadro fiscal e assegurar a sustentabilidade do Estado social.

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