Política António Costa recruta director do Millennium BCP

António Costa recruta director do Millennium BCP

Mário São Vicente é o estratega da comunicação no gabinete do primeiro-ministro, que já nomeou sete secretárias, cinco adjuntos, três assessores e uma chefe de gabinete, com quem trabalhou na Administração Interna.
António Costa recruta director do Millennium BCP
Miguel Baltazar/Negócios
António Larguesa 13 de janeiro de 2016 às 18:02

António Costa recrutou para o seu gabinete o director de comunicação comercial do Millennium BCP, Mário São Vicente. De acordo com o despacho publicado em Diário da República, o lisboeta de 43 anos vai desempenhar durante esta legislatura as funções de "planeamento estratégico da comunicação institucional".

 

Designado como técnico especialista, este licenciado em Comunicação Empresarial optou pelo "estatuto remuneratório de origem". Além disso, fica autorizado a exercer a atividade de gerente da sociedade comercial Pinto Azul, constituída há apenas dois anos e que, entre outros, presta consultoria e serviços nas áreas da comunicação, design, imagem e multimédia.

 

No início da carreira, Mário São Vicente foi jornalista do Semanário Económico e da RTP, tendo passado também pelas revistas Briefing, Egoísta e Marketing & Publicidade. Era director editorial da Media Capital Edições antes de entrar para o grupo BCP em Abril de 2005, primeiro para a comunicação comercial da Médis e depois do Activo Bank e do Millennium.

 

Este especialista em planeamento estratégico de comunicação é um dos 17 nomes designados esta quarta-feira, 13 de Janeiro, para o gabinete do primeiro-ministro. Além do técnico especialista, António Costa apontou sete secretárias pessoais, cinco adjuntos, três assessores e ainda a chefe de gabinete, Rita Faden da Silva Moreira Araújo.

 

Licenciada em Direito pela Clássica de Lisboa e pós-graduada em Estudos Europeus pela Católica, esta técnica superior do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) já tinha trabalhado com António Costa quando este era ministro da Administração Interna (MAI) no primeiro governo de José Sócrates. Em 2004 é apontada como directora do Gabinete de Assuntos Europeus deste Ministério e em 2007 ascende a directora-geral da Direcção-Geral de Administração Interna.

 

Já depois da saída do actual primeiro-ministro para se candidatar às eleições autárquicas intercalares em Lisboa, Rita Araújo passa para a área da Justiça, que Costa tutelara entre 1999 e 2002, no segundo mandato de António Guterres. Directora-geral da Política da Justiça em 2009, no ano seguinte passa a vogal do conselho diretivo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

 

Com a chegada de Passos Coelho ao poder, a advogada (com inscrição suspensa na Ordem) volta ao MNE. Primeiro como subdirectora na Direcção-Geral dos Assuntos Europeus e desde Setembro de 2013 como directora do departamento de Assuntos Jurídicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o cargo que exercia até ser chamada por António Costa para São Bento.

 

Pela mão de Costa…

 

O currículo da chefe de gabinete tem vários pontos convergentes com o de outros elementos nomeados pelo primeiro-ministro. Não só provém do Ministério agora tutelado por Augusto Santos Silva – tal como o adjunto Alexandre José dos Reis Leitão ou as secretárias pessoais Elsa Dias e Maria Dulce Gonçalves –, como coincidiu com António Costa em diferentes períodos da sua carreira política.

 

É o caso de Patrícia Sofia Melo e Castro Leite de Noronha Mendonça Mendes. O nome é longo, tal como o período de ligação ao socialista. Entre 1999 e 2002, quando Costa tutelava a Justiça, a agora nomeada adjunta do gabinete do PM foi consultora jurídica do Secretário de Estado da Justiça. E durante os oito anos que António Costa chefiou a Câmara Municipal de Lisboa, a lisboeta nascida em Fevereiro de 1973 exerceu funções de assessora no gabinete do presidente.

 

Outra mulher, também licenciada em Direito e que está como adjunta do líder do Executivo socialista, Raquel Sanchez Rosa de Albuquerque d'Orey tem um percurso em que acompanha Costa… e a sua actual chefe de gabinete. É técnica superior no Gabinete de Assuntos Europeus que ela dirigia, em 2007 passa a directora de Serviços dos Assuntos Europeus do MAI e em Abril de 2014 entra como jurista no departamento do MNE que era liderado por Rita Araújo.

 

…de Guterres e Sócrates

 

Além desta ligação directa ao passado político de Costa, na análise feita aos nomeados salta à vista a experiência de muitos deles também nos gabinetes dos dois anteriores primeiros-ministros socialistas. O destaque vai para Maria da Conceição Pinto Ribeiro dos Santos, que esteve como secretária pessoal de Guterres entre 1995 e 2002, de Costa no MAI entre 2005 e 2007 e depois até 2015 na autarquia da capital.

 

Outras duas secretárias estiveram no gabinete com Guterres e depois com Sócrates, tal como o assessor de imprensa, David Damião. Quem também regressa a São Bento após quatro anos na "oposição" é o adjunto Fernando José Oliveira Cálix Ferreira, técnico superior do Centro Distrital da Segurança Social de Viseu, e Vítor Escária. O professor auxiliar do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), doutorado em Economia na Universidade de York, no Reino Unido, foi um dos assessores económicos de José Sócrates.

 

Num gabinete em que, para já, e incluindo o primeiro-ministro, há apenas sete homens – todas as secretárias são do sexo feminino (e duas delas chamam-se Elsa), o que ajuda a estes números incomuns –, há outro nome que merece referência por ser um caso de longevidade nos gabinetes do poder. O assessor Fernando Soto Almeida, 63 anos, tem no currículo passagens pelo I e pelo II Governos Constitucionais (como adjunto na tutela da Educação) entre 1976 e 1978 e regressou como adjunto a um Governo entre 1983 e 1985.

 

Após uma década de ausência das lides governativas, este técnico superior da Autoridade Nacional da Aviação Civil voltou como assessor administrativo ao gabinete do primeiro-ministro e por lá ficou durante todo o consulado de António Guterres e depois também no de José Sócrates. No futuro, provavelmente o seu currículo dirá quantos anos durou a apelidada "geringonça" de António Costa.




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