Política Artur Santos Silva: Precisamos de mais tempo para fazer a reforma do Estado

Artur Santos Silva: Precisamos de mais tempo para fazer a reforma do Estado

O presidente da Fundação Gulbenkian diz que a redução do desemprego e do rácio da dívida pública serão os principais desafios no pós-troika. A Europa, diz, precisa de um novo "sonho" e de elites clarividentes.
Artur Santos Silva: Precisamos de mais tempo para fazer a reforma do Estado
Eva Gaspar 10 de março de 2014 às 16:06

"Portugal precisa de mais tempo para reduzir os desequilíbrios das finanças públicas, modernizando o funcionamento do Estado de forma sustentável, sem pôr em causa o crescimento económico que deverá  ser essencialmente dinamizado pelo aumento do investimento privado", apoiado pelo novo ciclo de fundos estruturais da União Europeia.  


A afirmação é de Artur Santos Silva, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, co-organizadora do II Fórum Portugal-Alemanha que começou esta segunda-feira, 10 de Março, em Berlim. 

 

Falando para uma plateia de quase 200 convidados, o também presidente do BPI falou dos erros de cálculo dos multiplicadores do FMI para pedir agora mais tempo na programação da redução do défice e da dívida, acrescentando que, não obstante o programa de assistência externa não ter atingido todos os seus objectivos, "é antecipável que Portugal termine o seu ajustamento sem surpresas".

 

Contudo, ainda há muito por fazer e a  redução do desemprego e do rácio da dívida pública serão os "principais problemas que Portugal terá de enfrentar depois do programa".

 

Como? "O relançamento do investimento privado e o combate ao desemprego são objectivos de decisiva importância para que Portugal ponha termo a um processo de empobrecimento e recupere o caminho da convergência com os países europeus mais desenvolvidos. "

 

Artur Santos Silva pediu ainda aos líderes europeus que mobilizem os seus povos em torno de um novo "sonho", retomando o repto lançado na semana passada por Enrico Letta, antigo primeiro-ministro italiano.

 

Sem esse sonho, que disse dever ser centrado no emprego, fica um vazio que tem sido ocupado pelos extremismos e populismos. "Esperemos que os líderes europeus tenham o discernimento para compreender a marcha da História antes que seja tarde".

 

O II Fórum Portugal-Alemanha decorre em Berlim, por  iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL) e do Instituto alemão para a Política Europeia. A primeira edição do Fórum bilateral teve lugar em Lisboa em Janeiro de 2013.

 

* - Jornalista em Berlim, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL)




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