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Assis: "Acordo de esquerda é só a ponta do icebergue"

O socialista reiterou que o PS deveria assumir a posição de partido de oposição e não insistir num acordo à esquerda entre partidos "tão diferentes". Assis alertou que tal combinação é um perigoso icebergue, onde o invisível é fatal.

Miguel Baltazar/Negócios
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Já passou mais de um mês desde as eleições legislativas e desde então a posição do eurodeputado socialista Francisco Assis manteve-se: o Partido Socialista deve assumir-se enquanto partido da oposição. Até porque "o acordo de esquerda é a parte visível do icebergue, mas o resto está todo lá", alertou. "A parte visível é a mais fatal", acrescentou Francisco Assis. O socialista disse que não existe um rumo previamente estabelecido, uma vez que "no estado actual do mundo e da Europa as situações estão sempre a alterar-se", e as divergências podem gerar instabilidade.

Por isso Assis havia convocado para o próximo sábado, na Mealhada, um almoço de militantes que se opõem a um Governo de "frente de esquerda". No entanto, o secretário-geral socialista trocou-lhe as voltas e marcou a Comissão Nacional para o mesmo dia. Entretanto, Assis já antecipou o encontro para esta sexta-feira, 6 de Novembro.

O eurodeputado socialista desvalorizou, no entanto, a sua posição dentro do partido, salientando que até tinha sido convidadopara a Comissão Política do Partido Socialista. Questionado sobre a possibilidade de não ser ouvido, Assis ressalvou que "é sempre um risco que corremos na vida política", acrescentando que "temos de combater pelas nossas convicções". "Nenhum político pode ter medo da solidão", afirmou. Nesse sentido, Assis revela ter aceitado o convite endereçado por António Costa e garante que "estarei presente na Comissão Política e apresentarei a minha leitura daquilo que foi o resultado das eleições".

"As nossas divergências são muito, muito profundas. O argumento que tem sido utilizado é que nos vamos concentrar nas convergências". No entanto, o eurodeputado destaca que as divergências e as diferenças não podem ser ignoradas.

Como tal, Francisco Assis sustenta que "o papel de charneira" adquirido pelo PS após as legislativas deveria servir para o partido "estar disponível para exercer uma oposição exigente e responsável", capaz de "avaliar as diferentes circunstâncias". 

Assis não pretende estimular dissidências

No entanto, apesar de Francisco Assis manter uma "convicção profunda" de que o caminho seguido pela actual liderança socialista é "errado", o eurodeputado defende que o PS detém "órgãos legitimamente constituídos" cujas decisões que "venham a ser tomadas devem ser acatadas". 

Por outras palavras, Assis defende o respeito da disciplina de voto e opõe-se à possibilidade de haver deputados do PS que votem o programa do Governo, que começará a ser discutido no início da próxima semana, e as moções de rejeição prometidas diferentemente daquela que for a orientação da direcção do partido. 

"O princípio da disciplina de voto tem de se verificar. Ele é fundamental para garantir a governabilidade do país", afirmou para depois acrescentar que "os deputados, sem qualquer excepção, estão vinculados a essa decisão".

O antigo candidato à liderança do partido quis deixar "clara" a sua posição quanto àquilo que considera ser a melhor opção para o PS e também para o país. Mas Assis não vislumbra cenários apocalípticos decorrentes da eventual concretização de um acordo que permita a constituição de um Executivo socialista apoiado pelas forças políticas mais à esquerda. 

"Não alinho neste discurso de que vem aí uma ameaça autoritária. O Bloco de Esquerda e o PCP são partidos perfeitamente integrados na nossa vida democrática", afiançou. Francisco Assis realçou ainda que o propalado "acordo à esquerda" é "errado mas não perigoso".

(notícia actualizada às 21:40 com mais informações)

 

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