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Atenas pronta para negociar. Pede tempo para fazer reformas sem voltar a défices

A chegada do presidente do Eurogrupo a Atenas marcará, nesta sexta-feira, o "início de negociações" com a Zona Euro, refere o Ministério grego das Finanças. Alexis Tsipras pede conselhos à OCDE e "tempo" à Europa para fazer "reformas mais profundas, sem austeridade mas também sem défice". Em Paris, o Governo voltou a recusar perdoar dívida grega, frisando só haver abertura para negociar os termos do seu pagamento.

Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt | Lusa 29 de Janeiro de 2015 às 17:40
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"Estamos dispostos a dar início a reformas mais profundas, sem austeridade mas também sem défice". A afirmação é do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que disse, porém, precisar de "tempo". "A Europa irá sair da crise e será mais forte do que nunca", acrescentou, numa breve declaração sem direito a perguntas, citada pela Lusa.

 

Tsipras falava após um encontro com o presidente do Parlamento Europeu (PE), o alemão Martin Schulz, que visitou a capital grega nesta quinta-feira. Segundo Schulz, a Grécia está disponível para discutir "com os parceiros europeus e procurar soluções sobre uma base comum". "Vejo que está aberto ao diálogo", afirmou o representante europeu, numa referência a Tsipras, salientando que "na Europa existem receios de que a Grécia vai tomar medidas unilaterais".

 

Schulz salientou que é muito importante que fique claro que a Grécia "vai procurar soluções de mútuo acordo com os parceiros" da UE, e saudou o facto de o novo Governo helénico ter como prioridade a luta contra a evasão fiscal. "A luta contra a pobreza está ligada à luta contra a evasão fiscal", defendeu.

 

Martin Schulz indicou também que durante o encontro com Alexis Tsipras, que durou cerca de duas horas, foram abordados todos os temas de interesse europeu, incluindo a crise na Ucrânia. Schulz chegara a Atenas dizendo-se "espantado" com o posicionamento de Atenas que se distanciou do consenso europeu em torno da possibilidade de serem prolongadas ou reforçadas as sanções económicas sobre Moscovo, na sequência do agravamento dos confrontos no leste da Ucrânia.

 

Presidente do Eurogrupo a caminho de Atenas

 

Pouco antes, a Reuters citava um comunicado do Ministério grego das Finanças, segundo o qual chegada do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, a Atenas marcará, nesta sexta-feira, o início de conversações com os parceiros europeus. "As negociações com os nossos parceiros começam com esta visita, o que levará a um acordo viável e abrangente para reconstruir a nossa economia social", refere o Ministério das Finanças, liderado por Yanis Varoufakis.

 

O programa de assistência da troika à Grécia termina no fim de Fevereiro. Atenas tem, até lá, de decidir se quer pedir à Europa uma segunda extensão do actual programa (que terminava originalmente no fim de Dezembro de 2014) ou um novo programa, eventualmente assente numa linha de crédito cautelar, o que obrigará à negociação de um novo memorando de entendimento, onde se descrevem as medidas e metas que o Governo grego se compromete a cumprir a troco de novos créditos.

 

Segundo a Reuters, Varoufakis quer procurar apoios para o que designa de "empréstimo ponte" e renegociar a dívida. O ministro grego das Finanças viaja no domingo para Londres, onde se encontrará com o seu homólogo britânico George Osborne e com investidores na City, devendo seguir depois para Paris e Roma. Angel Gurria, secretário-geral da OCDE,  deverá, por seu turno, deslocar-se a Atenas em 11 de Fevereiro, na sequência do convite feito pelo primeiro-ministro grego para o assessorar no programa de reformas "radicais" e na renegociação da dívida, tendo em conta a experiência de Gurría neste domínio como antigo ministro das Finanças do México.

 

Na capital francesa, o ministro das Finanças Michel Sapin repetiu hoje que está fora de questão um perdão de dívida da Grécia, frisando só haver abertura para negociar os termos do seu pagamento. "Não temos problemas em falar sobre o alívio do peso da dívida grega, mas não vamos falar em perdoar dívida, porque isso significaria passar o ónus para os contribuintes franceses", disse Sapin no Parlamento, ao cifrar em 42 mil milhões de euros os empréstimos à Grécia garantidos pelo Estado francês.  Citado pela Reuters, Sapin advertiu, porém, que qualquer negociação dependerá de a Grécia permanecer no caminho das reformas e manter um orçamento equilibrado.

 

Essa tem sido a mensagem dos dirigentes europeus. "A questão de cancelar dívida não se coloca. Os outros países da Zona Euro não vão aceitar", disse Jean-Claude Juncker, em entrevista hoje publicada no Le Figaro, admitindo, contudo, "arranjos" nas condições de reembolso dos empréstimos garantidos pelos Estados europeus. O responsável sublinhou que Bruxelas respeita o "voto popular na Grécia", mas a Grécia, acrescentou, "também deve respeitar o dos outros" assim como "a opinião pública e os parlamentos do resto da Europa".

 

 

 

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