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Bagão Félix: “Está nas mãos dos partidos o ónus de provar se querem ser patrióticos”

Ex-ministro das Finanças concorda com a proposta apresentada pelo Presidente da República, numa altura em que o “País está à beira do precipício”. Para Bagão Félix, Cavaco Silva mostrou que “habemus Presidente”.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 10 de Julho de 2013 às 23:15
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António Bagão Félix deixou esta noite elogios ao discurso do Presidente da República, que apelou a um “compromisso de salvação nacional” entre os três partidos do arco da governação, para que seja possível convocar eleições antecipadas no fim do programa de ajustamento, em Junho de 2014.

 

A “proposta é a mais correcta”, disse Bagão Félix na SIC Notícias, justificando que o “país está à beira do precipício”, pelo que está na altura dos partidos as “divergências tácitas”.

 

Argumentando que o Presidente da República não deve ser criticado por agir, quando antes era criticado por não agir, Bagão Félix considera que Cavaco Silva “está a desempenhar as funções no momento em que procura reflectir os dramas e anseios que muitos portugueses vivem”.

 

“Soluções óptimas não há”, adiantou Bagão Félix, considerando que o que “precisamos é de uma troika dos três partidos” e nesta altura “não é o tempo de inventariar culpas, mas antes encontrar os remédios” para Portugal sair da situação de “desastre total, que os partidos têm que dar resposta”. Por isso Cavaco Silva fez “muito bem” ao transferir o “ónus da responsabilidade para os partidos”.

 

“Está nas mãos dos partidos o ónus de provar se querem ser patrióticos”, acrescentou Bagão Félix, classificando a decisão do Presidente de “muito inteligente”, pois coloca os partidos em risco de serem castigados pelos eleitores, se não aderirem ao seu apelo de “compromisso de salvação nacional”.

 

Bagão apelou aos partidos para deixarem de lado as questões tácticas numa altura de grave crise no país. Exemplificou que era como termos a “casa a arder e estarmos a discutir se devemos mudar o móvel do quarto A para quarto B”.

 

Recusando a ideia que é o PS que fica mais responsabilizado com este apelo de Cavaco Silva, Bagão Félix entende que o Presidente da República pretende a formação de um Governo, até à saída da troika do País, que tenha a “participação activa e não passiva dos três partidos”.

 

“Habemus Presidente”

 

Cavaco Silva “tomou a liderança”, disse Bagão Félix, gracejando que “Habemus Presidente”. Acrescentou que esta “não é comunicação isenta de riscos”, mas o Presidente da República “tomou as rédeas do assunto” para fazer face à “situação dramática que o país vive”.

 

Para Bagão Félix a solução terá que ser encontrada este mês, sendo que se o compromisso não for encontrado, haverá mesmo eleições antecipadas, ou o actual Governo continua, mas com uma posição fragilizada.

 

O Presidente da República admite que chegar a um acordo entre os três partidos políticos será difícil e sugere que se recorra a uma "personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo".

 

Questionado se estaria disponível para desempenhar esse papel, Bagão Félix mostrou-se “disponível para ajudar o Presidente da República” em tudo o que Cavaco Silva achar necessário, mas reconheceu ter uma posição “muito modesta” para esse papel.

 

Bagão Félix teceu críticas ao actual Governo, sobretudo o pedido de demissão de Portas – “aquela tomada de posse, naquelas circunstâncias, foi de uma grande violência institucional – e lembrou que a crise iniciou com Vítor Gaspar, que “escolheu um mau momento para se demitir. A primeira pedra da crise é colocada pelo aparentemente mais resistente ministro deste governo”, adiantou.

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