Política BE: Eleições são sempre a forma de sair das crises

BE: Eleições são sempre a forma de sair das crises

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, afirmou hoje que as eleições "são sempre a forma de sair das crises", considerando que esta é a única solução de estabilidade para o país.
BE: Eleições são sempre a forma de sair das crises
Lusa 21 de julho de 2013 às 18:45

"Há quem tenha afirmado argumentos de estabilidade para não haver eleições. Isso, por um lado, é um ataque à democracia, porque as eleições são sempre a forma de sair das crises e é forma de o povo escolher como quer que seja o seu percurso", disse Catarina Martins, no Funchal, no encerramento do encontro autárquico.

 

Para a dirigente bloquista, manter um Governo que "não tem credibilidade, em que os protagonistas não confiam uns nos outros" é "estar a condenar o país a ter, regularmente, mais semanas destas desastrosas, degradantes, de profunda instabilidade".

 

A este propósito, lembrou que o líder do CDS-PP, Paulo Portas, se demitiu "dizendo que não confiava no primeiro-ministro". "A única solução de estabilidade é aquela que faça com que haja eleições de um novo governo, com uma nova legitimidade, com uma nova força e um governo que, com essa legitimidade sufragada pelo povo nas urnas, possa ter a força para fazer o que é essencial, que é renegociar a dívida junto das instituições internacionais", continuou Catarina Martins.

 

Questionada se é esta a decisão que espera do chefe de Estado, na declaração que hoje, pelas 20:30, fará ao país, a coordenadora do Bloco respondeu: "O Presidente da República disse, quando a crise estourou, que não aceitou a solução que o primeiro-ministro lhe apresentou, não aceitou a solução de continuar um Governo PSD/CDS renovado, considerou que essa solução seria frágil, porque não a aceitou, presume-se, e tentou uma outra solução que não aconteceu".

 

Nesse sentido, "face à solução inicial ser má, como o próprio Presidente da República reconheceu" e ao "falhanço completo da ideia" do chefe de Estado de que "era possível salvar um Governo que já estava morto e de um programa político de destruição do país", Catarina Martins considera que o que seria "coerente" era a marcação de eleições.

 

A responsável acrescentou que o país está "há 21 dias sem governo". "Vinte e um dias passados e passada mais de uma semana num processo um pouco caricato daquilo a que se chamou 'negociações para a salvação nacional', e mais não foi que uma tentativa de ressuscitar um moribundo, que é o Governo de coligação PSD/CDS-PP, perdemos tempo precioso, e o que é preciso é que haja em Portugal capacidade para mudar e essa mudança terá de vir por eleições", insistiu.

 

O Presidente da República, Cavaco Silva, faz hoje uma comunicação ao país, pelas 20:30. A declaração do chefe de Estado segue-se ao anúncio, na sexta-feira à noite, do secretário-geral do PS, António José Seguro, que deu conta do fim das negociações, sem acordo, entre os três partidos, para um "compromisso de salvação nacional".

 

A crise política arrasta-se há três semanas, depois dos pedidos de demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a 1 de Julho, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia seguinte.




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