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Bloco de Esquerda rejeita exercício da NATO, Ministério da Defesa critica partido

Os dirigentes do Bloco de Esquerda do distrito de Beja criticam a realização de exercícios militares na cidade, que consideram inoportunos e um desperdício de recursos. Ministério da Defesa já condenou a posição do partido.

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Reuters
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 15 de Outubro de 2015 às 21:09
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A representação do Bloco de Esquerda de Beja contestou esta quinta-feira, 15 de Outubro, a realização de um exercício da NATO. As críticas dos dirigentes do partido ganham maior dimensão por ocorrerem numa altura em que a esquerda ainda estuda a possibilidade de se unir numa aliança maioritária para formar o próximo Governo, e onde as diferenças entre os três partidos têm sido apontadas como um entrave. Entre as diferenças listadas consta justamente a posição do Bloco de Esquerda sobre a NATO e a continuidade na Zona Euro e União Europeia.

 

O Ministério da Defesa, gabinete ainda tutelado pelo social-democrata José Pedro Aguiar-Branco, já veio criticar a posição do BE, afirmando que este tipo de declarações "em nada ajudam ou servem os interesses nacionais".

 

Os bloquistas de Beja mostraram o seu descontentamento num comunicado enviado à Lusa intitulado "NATO não é bem-vinda em Beja", manifestando "o mais profundo desagrado" em relação à realização de um exercício da organização internacional na cidade de Beja, que está a decorrer desde o dia 3 de Outubro até sexta-feira, 16 de Outubro, e que será retomado numa segunda fase entre dia 21 de Outubro e dia 6 de Novembro.

"O povo português, já fustigado pela austeridade, dispensa jogos de guerra como o Trident Juncture 2015, um desperdício inadmissível de recursos, particularmente inoportuno durante a formação do novo governo", defende o Bloco, sustentando que o país "não é um protectorado da NATO". "A NATO é bem o símbolo da submissão da Europa aos ditames dos Estados Unidos da América e o seu braço armado na disputa imperial com a Rússia, com enormes riscos para a paz na Ucrânia, na Síria e que podem alastrar à Turquia, ao Cáucaso e aos Balcãs", acrescenta.

As declarações não foram bem recebidas pelo Ministério da Defesa português. O comunicado do Ministério da Defesa Nacional começa por informar que a realização do exercício "está prevista e encontra-se em preparação, desde Maio de 2013, altura em que Portugal e Espanha, a que se juntou posteriormente Itália, manifestaram vontade de acolher, de forma combinada, o referido exercício".

"Este tipo de posições públicas, de partidos com responsabilidade parlamentar, como é o caso do Bloco de Esquerda, em nada ajudam ou servem os interesses nacionais. Em especial numa época em que são várias as ameaças à segurança e à paz, na comunidade internacional em que Portugal se insere", afirma o Ministério da Defesa, acrescentando que Portugal é membro da NATO desde 1949 e sublinhando a "relação de amizade e confiança com os países membros desta organização".


O Ministério nega ainda qualquer "relação com o actual momento de formação de um novo Governo" com a realização do exercício como sugere o Bloco de Esquerda.

Trident Juncture 2015 visa "demonstrar a capacidade da NATO em planear, gerar, preparar, projectar e sustentar forças e meios atribuídos". O exercício decorre em Portugal nas zonas de Beja, Santa Margarida, Tróia e Setúbal e contará, em território nacional, com mais de 10 mil efetivos de 14 países, entre eles Espanha e Itália, havendo ligação com exercícios conduzidos na Bélgica, Canadá, Alemanha, Holanda, Noruega, no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo.

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