Política Cafôfo concorre sozinho mas está disponível para geringonça madeirense

Cafôfo concorre sozinho mas está disponível para geringonça madeirense

O candidato do PS ao governo regional da Madeira descarta concorrer às eleições do próximo ano em coligação com outros partidos, mas não exclui acordos pós-eleitorais com outras forças políticas da esquerda. Cafôfo ainda não sabe quando mas vai deixar a câmara do Funchal para se candidatar ao governo regional
Cafôfo concorre sozinho mas está disponível para geringonça madeirense
Lusa
David Santiago 28 de maio de 2018 às 17:45

Paulo Cafôfo pretende concorrer em listas exclusivas do PS às eleições para o governo regional da Madeira, mas não exclui eventuais acordos pós-eleitorais com forças da esquerda, revelou o próprio ao Negócios.

No sábado, o momento em que Paulo Cafôfo anunciou que será candidato à presidência do governo regional da Madeira nas eleições previstas para 2019 foi um dos que mais empolgou a sala do Centro de Exposições da Batalha, onde este fim-de-semana o 22.ª Congresso do PS.

Cafôfo virou-se para António Costa para lhe dizer que quer fazer dele o primeiro secretário-geral do partido a vencer umas eleições regionais na ilha da Madeira. E o entusiasmo gerado mostrou que os socialistas depositam nele a esperança de conquistar pela primeira vez o governo da região autónoma.

Ao Negócios, o actual presidente da câmara do Funchal, que em 2017 conquistou uma maioria absoluta na autarquia concorrendo numa coligação PS, BE, JPP, PDR, e Nós, Cidadãos!, garantiu que deverá encabeçar uma lista em que os socialistas concorrem sozinhos.

"É essa a configuração que, neste momento, está em cima da mesa", disse acrescentando que a candidatura do PS que irá encabeçar já tem "uma coligação com a sociedade civil". Porque existem muitos madeirenses que "acreditam que é tempo de inovar na Madeira e no Porto Santo depois de 40 anos sob o mesmo poder político", explica.

No entanto, Cafôfo não rejeita forjar uma espécie de geringonça madeirense depois das eleições. "Com certeza estou disponível para acordos pós-eleitorais", em concreto com as forças mais à esquerda por forma a promover políticas de esquerda. Ou seja, Cafôfo admite uma formar uma espécie de geringonça madeirense. "Nesta fase política da Madeira todos somos necessários e quem vier por bem é obviamente bem-vindo", sustenta.

O professor de História recorre ao seu próprio passado recente para justificar a bondade desse tipo de solução: "na câmara do Funchal tenho sido um líder de convergências que tem conseguido congregar vontades, incluindo vontades que vêm de outros partidos".

A condição para essa congregação de vontades tem de ser positiva e não negativa. Cafôfo rejeita acordos negativos com quem quer somente "derrubar o PSD", preferindo entendimentos com quem credite que "pode fazer melhor do que aqueles que lá estão".

Em 2013, a coligação Mudança formada por seis partidos, entre os quais o PS e o Bloco de Esquerda, retirou a autarquia funchalense ao PSD pela primeira vez na história democrática, um feito protagonizado pelo independente Cafôfo que se mantém sem cartão de militante.

Cafôfo vai sair da câmara para fazer campanha

Mesmo sendo já o candidato anunciado às eleições regionais de 2019, o Presidente da República ainda não determinou a data exacta em que o acto eleitoral irá decorrer. Também por isso, para já Cafôfo vai continuar "focado na câmara do Funchal".

Porém, quando as exigência da candidatura ao governo regional colidirem com as de autarca da capital da ilha, Paulo Caafôfo vai abandonar a autarquia. "A partir de determinado momento irei sair da câmara", revela embora seja ainda "prematuro dizer quando será".

Sobre o conclave socialista que ontem terminou e num balanço aos dois anos e meio do Governo liderado por António Costa, Cafôfo defendeu que ficou provado que "afinal as políticas de esquerda deste Executivo são bem melhores" do que as do anterior. E sobre o tema da política de alianças que marcou muitas das intervenções feitas pelos congressistas socialistas no sábado, Cafôfo não esconde as suas preferências: "o PS deve privilegiar acordos à esquerda sem negligenciar entendimentos à direita".

Paulo Cafôfo acredita que a vitória nas eleições regionais de 2019 é possível e "o PS nacional também acredita", diz. Na intervenção feita no último dia do conclave, a secretária-geral adjunta Ana Catarina Mendes, responsável pela gestão do aparelho socialista, destacou a candidatura anunciada por Cafôfo antecipando que "vai ser possível ganhar pela primeira vez as eleições para o governo regional da Madeira".

Na disputa pela liderança do PS-Madeira do início deste ano, o candidato vencedor, Emanuel Câmara, definiu à partida que Cafôfo seria o seu candidato ao governo regional Contudo, foi uma corrida renhida com o ex-líder dos socialistas madeirenses, Carlos Pereira, que deixou algumas feridas abertas.

Em Janeiro, Paulo Cafôfo foi constituído arguido do chamado caso da árvore, um incidente provocado, em 15 de Agosto, pela queda de uma árvore no Largo da Fonte, causando a morte a 13 mortos e 49 feridos.




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