Política Campanha nos Açores arranca com PS perto da maioria absoluta

Campanha nos Açores arranca com PS perto da maioria absoluta

Nas eleições de 16 de Outubro, Vasco Cordeiro pode conseguir o melhor resultado de sempre para os socialistas numa região em que a esquerda faz de tudo para fugir da "geringonça".
Campanha nos Açores arranca com PS perto da maioria absoluta
Miguel Baltazar
António Larguesa 03 de outubro de 2016 às 11:09

Treze forças políticas vão disputar as eleições legislativas regionais nos Açores, agendadas para 16 de Outubro, partindo o socialista Vasco Cordeiro com uma larga vantagem para a concorrência, que lhe deverá mesmo garantir nova maioria absoluta e a reeleição no cargo que ocupa desde Novembro de 2012.

Segundo uma sondagem do Açoriano Oriental/Norma Açores, publicada este domingo, 2 de Outubro, no início oficial da campanha, o PS pode alcançar 66,9% dos votos, enquanto o PSD, o maior partido da oposição e principal concorrente, não consegue recolher mais do que 20,7% das intenções de voto.


A confirmarem-se estes valores no dia em que 228 mil eleitores estão inscritos para ir às urnas, o sucessor de Carlos César poderá conseguir a quinta maioria absoluta e o melhor resultado de sempre para os socialistas. Superaria o actual recorde de 56,97%, registado em 2004 precisamente pelo actual líder parlamentar do PS e também presidente do partido.


Citado pela Lusa, o cabeça-de-lista do PSD, Duarte Freitas, desvalorizou o estudo de opinião publicado neste jornal regional, lembrando que nas últimas autárquicas falhou ao antecipar a vitória dos socialistas na Câmara de Ponta Delgada. "Depois no dia das eleições vamos ver quem são as sondagens verdadeiras, se são as do povo, que nós estamos a ouvir, se são aquelas que nos querem impingir", sublinhou o social-democrata.

 

Vasco Cordeiro deve ser reeleito no cargo que ocupa desde Novembro de 2012 e conseguir até uma melhor votação do que o antecessor, Carlos César.
Vasco Cordeiro deve ser reeleito no cargo que ocupa desde Novembro de 2012 e conseguir até uma melhor votação do que o antecessor, Carlos César.
José António Rodrigues/Correio da Manhã

Com uma abstenção estimada em 34,6%, de acordo com a mesma sondagem, os açorianos vão votar para eleger os 57 deputados à Assembleia Legislativa, embora nem todos os partidos apresentem candidatos nos dez círculos eleitorais. Em 2012, o PS (49%) elegeu 31 deputados, os 33% do PSD valeram 20 mandatos e o CDS-PP conseguiu três com uma votação de 5,67%. Bloco de Esquerda (2,25%), CDU (1,9%) e PPM (0,08%) elegeram apenas um parlamentar.

Esta segunda-feira, no segundo dia oficial da campanha, os maiores partidos vão percorrer as ilhas da Graciosa, Flores, Corvo, Faial e Pico. É nesta última ilha que a presidente dos democratas-cristãos, Assunção Cristas, andará a fazer campanha, com destaque para os temas da agricultura, naquele que será o seu terceiro e último dia de visita à região, onde tem Artur Lima como cabeça-de-lista.


"Geringonça" à distância


Um dos aspectos mais particulares desta corrida eleitoral é o abismo que separa a situação política regional daquela que se vive no território continental, em que os partidos da esquerda suportam o Executivo socialista no Palácio de São Bento. No sábado à noite, Catarina Martins esteve na Horta a fazer campanha por Zuraida Soares – o objectivo é ter um segundo deputado – e avisou que "já ninguém suporta a chantagem e a opressão de um PS com maioria absoluta, que não sabe o que é a democracia e põe a opressão na vida de todas as pessoas".


"O que tem puxado os Açores para trás é a maioria absoluta do Partido Socialista. Um PS que é crescentemente arrogante para com as pessoas, que está minado pelos negócios, pelo amiguismo, pela opacidade, que é incapaz, neste momento, de um projecto de futuro", sentenciou a coordenadora bloquista, que em Lisboa está a negociar o Orçamento do Estado para 2017 com esse mesmo partido.


Na semana anterior, também o secretário-geral do PCP tinha ido a Ponta Delgada avisar que enquanto houver maioria absoluta do PS nos Açores, os problemas não se resolvem. Ao lado do candidato da CDU na região, Aníbal Pires, Jerónimo de Sousa reclamou que a eleição de mais deputados da CDU é condição para aquela maioria acabar.


Como o Negócios noticiou a 4 de Agosto, a pré-campanha para as eleições regionais foi marcada pelas taxas pagas pelos açorianos em Lisboa. Isto porque, em Fevereiro, o vice-líder parlamentar do PS Açores, Francisco César, tinha anunciado com pompa que o seu partido tinha conseguido "minorar o impacto das taxas turísticas de Lisboa sobre os açorianos", com o PSD a reclamar que afinal a taxa está a ser paga.




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