Política Carlos César diz que PS se “orgulha” do legado de Sócrates

Carlos César diz que PS se “orgulha” do legado de Sócrates

"José Sócrates deixou uma marca muito positiva em Portugal", disse Carlos César, destacando que o PS se "orgulha" do legado de José Sócrates.
Carlos César diz que PS se “orgulha” do legado de Sócrates
"O PS orgulha-se do seu contributo ao longo de toda a história democrática para o progresso do nosso país", afirmou Carlos César sobre o ex-primeiro-ministro.
Miguel Baltazar
Tiago Varzim 04 de maio de 2018 às 11:47

Carlos César já tinha admitido que o caso de José Sócrates, tal como o de Manuel Pinho, é uma "vergonha" para o PS. Em reacção à saída do ex-primeiro-ministro do partido, o presidente dos socialistas fez questão de destacar que o partido se "orgulha" do legado do governante. Mas diz que haverá um "sentimento de revolta" se a acusação se confirmar. 

"O PS orgulha-se do seu contributo ao longo de toda a história democrática para o progresso do nosso país e em especial das circunstâncias em que o PS assumiu responsabilidades governativas", afirmou o líder parlamentar do PS na Assembleia da República esta sexta-feira, numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas. Para Carlos César, "José Sócrates deixou uma marca muito positiva em Portugal". 

O socialista tentou dissipar a ideia de que existe uma mudança no discurso do PS. "Não há nenhuma mudança na questão fundamental: a separação da justiça e da política", disse Carlos César, admitindo apenas que "se se confirmarem essas suspeitas e acusações, [o PS] sente entristecimento e um sentimento de revolta". 

Carlos César começou a sua declaração por dizer que o PS tomou conhecimento da saída de Sócrates, "uma decisão assumida de forma responsável". Esta sexta-feira o ex-primeiro-ministro anunciou que se iria desfiliar do Partido Socialista. Numa carta divulgada pelo Jornal de Notícias, José Sócrates justificou a saída com a "condenação sem julgamento" do PS. "É chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo", escreveu Sócrates.

Na carta o primeiro-ministro que conquistou a única maioria absoluta do PS escreve que "estranhos tempos são estes em que lembrar o princípio estrutural do Direito moderno, a presunção de inocência, se confunde com a defesa seja de quem for". O socialista chega mesmo a acusar a actual direcção do PS de "injustiça", "juntando-se à direita política na tentativa de criminalizar uma governação". 

 

Esta quinta-feira o líder do PS tinha admitido que, "a confirmarem-se", os casos de Sócrates e Pinho serão uma "desonra para a democracia". "Se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona", afirmou António Costa, citado pela Lusa.

 

Também o porta-voz do PS, João Galamba, juntou-se às vozes socialistas. "Obviamente que é algo que envergonha qualquer socialista, sobretudo se as matérias de que é acusado se vierem a confirmar", admitiu o deputado, na SIC Notícias.

 

Mas também há vozes contra a direção do PS. Esta sexta-feira o fundador do partido, António Campos, disse na TSF que "o Partido Socialista traiu a sua própria origem" e que Sócrates "tem toda a razão em estar revoltado". Também Daniel Adrião, candidato à liderança do PS no próximo congresso, considerou que "a direção nacional do partido foi muito inábil na gestão de todo este caso".

 

(Notícia actualizada com mais declarações)




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