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Carlos César: "Passos Coelho não pode tratar o PS como se fosse o CDS"

O presidente do PS lembrou o PSD que precisa dos socialistas para governar. Carlos César acusou Passos Coelho de fechar a porta ao diálogo antes de receber um documento com as propostas do partido.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 14 de Outubro de 2015 às 17:42
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"Admiro-me imenso que o Dr. Passos Coelho […] tenha anunciado que não fará mais reuniões. Quem precisa de fazer reuniões com o PS é justamente o Governo que não tem maioria, que não pode apresentar-se junto do Presidente da República como estável". Foi assim que o presidente do Partido Socialista respondeu à porta fechada a mais encontros do presidente do Partido Social Democrata.

 

Carlos César defende que o PS "assumirá as responsabilidades que, desde o início, anunciou: não havendo condições para que o partido mais votado constitua um governo ou tenha a capacidade para recolher o apoio para isso, o PS continuará as diligências para que haja uma alternativa de governo que mude o rumo do país". "Não aceitarei que o país fique refém" do PS, disse Passos Coelho esta quarta-feira, 14 de Outubro.

 

Segundo declarações aos jornalistas, transmitidas pela RTP 3, Carlos César foi mesmo mais à frente nos recados ao PSD: "O dr. Passos Coelho é obrigado a dialogar com o PS. Não pode tratar o PS como se fosse o CDS".

 

Carlos César criticou Passos Coelho por ter colocado um ponto final nas reuniões com o PS antes mesmo de esperar por uma resposta dos socialistas sobre o que é por eles defendido. "Se o PSD não quiser esperar por essa carta, aí sim haverá ruptura". Pela voz do porta-voz do PSD, Marco António Costa, foi dito que as reuniões podem continuar desde que haja propostas concretas e não "simulacros de reuniões".

 

O presidente socialista também criticou o facto de esperar respostas da parte do PSD: "Fizemos um conjunto de perguntas por escrito, em que questionámos o Dr. Passos Coelho sobre uma série de questões que têm que ver com a actualização do cenário macroeconómico, a situação orçamental, o sector financeiro. Não obtivemos a resposta que desejávamos. A Dra. Maria Luís Albuquerque reconfirmou que não pretende responder às perguntas que o PS lhe colocou".

Neste momento, o Presidente da República ainda não nomeou nenhum partido para formar Governo - só o pode fazer depois de ouvir todos os partidos com assento parlamentar. "Encarreguei o Dr. Pedro Passos Coelho de desenvolver diligências com vista a avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do País", disse Cavaco Silva a 6 de Outubro, dois dias depois das legislativas. 

 

Nas eleições de 4 de Outubro, a Coligação Portugal à Frente, do PSD e do CDS, conseguiu 99 mandatos, a que se juntam os cinco mandatos do PPD/PSD na Madeira. O PS elegeu 85 deputados enquanto o BE conta com 19 representantes. A CDU, do PCP e PEV, atingiu 15 deputados, sendo que o PAN estreou-se com um deputado eleito. Falta saber o resultado das escolhas dos portugueses na Europa e fora do círculo europeu, que têm direito a eleger quatro deputados - o resultado será conhecido esta quarta-feira, 14 de Outubro. 

 

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