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Carvalho da Silva: "O acordo não é lei. Não pode, nem vai ser prática porque vamos agir"

"A política de austeridade teve um novo impulso suicidário com o novo acordo" social, afirmou Carvalho da Silva naquele que foi o seu último discurso enquanto secretário-geral da CGTP. O responsável não poupou críticas e apelou à "luta" contra a perda de direitos dos trabalhadores.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 27 de Janeiro de 2012 às 14:10
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“O acordo social não é lei. Não pode, nem vai ser prática porque vamos agir”, afirmou Carvalho da Silva, deixando duras críticas à UGT por esta ter assinado o acordo que retira direitos aos trabalhadores.

“A política de austeridade teve um novo impulso suicidário com o novo acordo”, salientou Carvalho da Silva.

O responsável, que hoje passa o testemunho a Arménio Carlos, salientou que a CGTP conseguiu “derrotar a meia hora” e acredita que “com a luta obteremos novas vitórias”, tendo apelado para que os portugueses se juntassem à manifestação agendada para dia 11 de Fevereiro.

Carvalho da Silva sublinhou que “o tempo não pode ser pertença de patrão para este gerir” o tempo dos trabalhadores, “aumentando a exploração” dos mesmos. “O salário não pode voltar a ser um mero subsídio de subsistência”.

O responsável sindical garante que continuarão a “lutar por um Portugal desenvolvido e soberano.”

“Sabemos que as duras condições de trabalho e de vida hoje impostas geram medos e podem alimentar fugas, mas é possível vencê-los”, acrescentou.

Ainda sobre o acordo social, Carvalho da Silva diz que “o acordo não é estímulo de economia, mas um reforço da austeridade. É um acrescento de medidas restritivas” e por isso, “merece-nos repulsa”.

E foi aqui que deixou uma forte crítica à UGT. Uma organização sindical dever “tentar agir, mas nunca accionar medidas que só vão contra os trabalhadores”.

Carvalho da Silva recordou ainda que sempre que se terminou um acordo, “não passou muito tempo” até que surgissem novas propostas de alterações. E já surgiu uma: “é preciso ressuscitar o debate sobre a taxa social única”.

Cavaco Silva “fez uma figura triste”

O Presidente da República “fez uma figura triste” na semana passada. Foi assim que Carvalho da Silva apelidou as declarações de Cavaco Silva sobre a sua remuneração. “E é porque o respeitamos que dizemos: figura de insensibilidade social para se queixar da sua pobreza”.

“O problema é que estamos numa situação em que temos milhares de portugueses que vivem na pobreza” e “outro problema é que o Presidente da República adoptou uma situação que é inaceitável.”

“Optou por receber o valor das reformas e não a retribuição de Presidente da República” e “o Presidente da República tem de dignificar a função.”

Quanto ao Partido Socialista, Carvalho da Silva salienta que continua “prisioneiro dos compromissos [assumidos no memorando de entendimento], o que contribui para aumentar as dificuldades de uma resposta política adequada” à austeridade que está a ser pedida aos portugueses.

Soares dos Santos e Eduardo Catroga estiveram entre os criticados. O primeiro pelo facto de ter optado por passar a “holding” da sua família para a Holanda, o segundo porque negociou com a troika o programa de ajuda e de austeridade e agora foi nomeado para liderar o conselho geral e de supervisão da EDP.

“É caso para perguntarmos: os trabalhadores e o povo não têm direito de defender o seu património? Não têm direito de defender emprego, salário, saúde, um futuro digno no seu país?”

“Catroga disse: nunca me pautei por critérios de remuneração. É caso para dizer: assim é que é. Quem acorda com a troika só pode ter um objectivo em mente: trabalhar, trabalhar.. Mas corre o risco de empobrecer? Não. Os accionistas da EDP, generosos, depositam na sua conta uma dezenas de milhares de euros.”

Num discurso de despedida, enquanto líder sindical, Carvalho da Silva disse que “mesmo quando as críticas foram injustas” aprendeu. “Aprende-se sempre” e deixou uma mensagem de “grande confiança no futuro”.

“Com todos, porque ninguém vai desistir, temos grandes desafios mas vamos prosseguir e continuar a reforçar esta sindical."
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