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Catarina Martins: Estão criadas as condições básicas para um governo liderado pelo PS e apoiado pelo BE

O Bloco de Esquerda não garante que venha a integrar um governo mas vê condições para viabilizar um governo encabeçado pelo PS porque garante o "emprego, salários e pensões". O BE admite que pode deixar cair promessas.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 12 de Outubro de 2015 às 13:32
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"No que nos diz respeito, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou hoje, tanto porque não terá apoio no Parlamento mas também porque há uma outra solução de governo." Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, disse-o no final do encontro desta segunda-feira, 12 de Outubro, com António Costa

 

E explicou porquê - para Catarina Martins, "estão criadas as condições" para que se crie uma solução de Governo virada à esquerda, já que parece ter garantias do PS de que os seus três pilares - "emprego, pensões e salários" - serão respeitados. 

 

"Temos hoje as condições para termos um governo e um orçamento dentro da Constituição da República Portuguesa depois de quatro anos de uma direita que não soube, nunca, respeitar a lei fundamental do país", disse Catarina Martins


Governo ou apoio ao Governo?

Contudo, a bloquista fez questão de sublinhar que as negociações não são para um Governo. O que está a ser negociado é a estabilidade para que esse Executivo possa actuar. "Nós estamos a negociar uma solução política, que é o que traz a estabilidade ao Governo. É essa que nos interessa negociar".

 

"Falámos de um programa de governo que possa respeitar o emprego, os salários e as pensões. Parece-nos que estão criadas as condições para que assim seja", continuou.

 

"Estamos em condições de dizer que, sendo certo que temos muitos outros temas sobre os quais trabalhar, estão as criadas as condições de consenso básico", repetiu Catarina Martins, para que haja estabilidade respeitando os salários, pensões e emprego. A líder da terceira força política mais votada nas legislativas de 4 de Outubro repetiu por várias vezes estes três pilares.

 

Ladeada por outros representantes do partido, Catarina Martins disse que "o Bloco de Esquerda assumirá

Falámos de um programa de governo que possa respeitar o emprego, os salários e as pensões. Parece-nos que estão criadas as condições para que assim seja.
Catarina Martins

todas as responsabilidades que tiver de assumir e tiver sentido assumir neste processo". Não garantiu – nem desmentiu – que fará parte de um Executivo liderado pelo PS.

 

Política económica base desenhada

Certo é que, segundo Catarina Martins, foi possível delinear uma "política económica base". "Não estamos ainda a trabalhar num orçamento, seria prematuro". O que está a ser feito, explicou, é o elenco de "uma série de medidas" vistas como "centrais para a recuperação económica".

 

Instada a comentar a reunião de Costa com o Presidente da República esta segunda-feira à tarde, a bloquista afirmou que o partido que lidera consegue responder ao pedido de estabilidade feito pelo Chefe de Estado, desde que "rompa com o ciclo da direita". "Reparámos que o Presidente da República falou de quase tudo menos da Constituição. E temos uma divergência com o Presidente da República: o primeiro garante da estabilidade é um governo que consiga cumprir a Constituição da República Portuguesa". Anteriormente, já tinha dito que o PSD e o CDS não o conseguiram. 

 

BE admite ceder

O Bloco de Esquerda teve uma votação que permite ser "indispensável" para a formação de um governo mas não para formar, por si, um Governo, de acordo com Catarina Martins. Ou seja, mesmo que assegure que não deixa de lado nenhuma convicção, o BE tem de ver "se é possível viabilizar um governo que tem por base outro partido". "O Bloco sabe bem o peso relativo dos vários programas". foram estas as respostas quando lhe foi perguntado se estaria disponível para deixar cair uma medida como a reestruturação da dívida pública. 

 

No final da conferência de imprensa, a bloquista adiantou que "há novos encontros marcados ainda durante esta semana". 


(Notícia actualizada com mais informações pelas 13h45)

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