Política Catarina Martins: "Um programa que é uma espécie de mixórdia de temáticas"

Catarina Martins: "Um programa que é uma espécie de mixórdia de temáticas"

A líder do Bloco de Esquerda criticou duramente o programa de governo do PSD e do CDS-PP que, considerou, prova que há uma "absoluta necessidade de mudança em Portugal". Foi a democracia que rejeitou este programa, afirmou.
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Filomena Lança 09 de novembro de 2015 às 17:14
Catarina Martins não poupou nas críticas ao governo, nem ao programa de Governo e que considerou, numa alusão ao programa de Ricardo Araújo Pereira, na Rádio Comercial, "uma espécie de mixórdia de temáticas que só aproveita às famílias com mais dinheiro". Na sua intervenção esta segunda-feira no Parlamento, durante a apresentação do Programa de Governo do PSD e do CDS-PP, a líder do Bloco de Esquerda começou por sublinhar que os deputados estavam "a debater um programa de Governo que antes de o ser já não era", tal como o primeiro-ministro "em breve já não o será".

Numa sessão em que está claramente presente o facto de o Governo ter os dias contados, na sequência da rejeição que será votada já terça-feira, 10 de Novembro, pela oposição, Catarina Martins proclamou "a mais absoluta necessidade de uma mudança em Portugal" que, considerou, "foi exigida nas urnas".

"Se hoje não têm deputados suficientes para fazerem passar o programa é porque os eleitores vos retiraram essa confiança nas eleições", afirmou, salientando que o que deverá acontecer nos próximos dias "não são jogadas políticas, é a democracia a funcionar. E foi a democracia que rejeitou este programa que a Assembleia da República agora rejeitará também".

Catarina Martins passou em revista as principais linhas do programa da coligação, sempre em tom crítico e irónico. Citou o objectivo de "valorizar as pessoas", que qualificou como "uma espécie de ramo de flores em jeito de pedido de desculpas" depois das opções políticas do anterior mandato. Falou da ausência de "investimento público para educação cultura e ciência, que nem vê-lo" e do objectivo de "defender e revigorar o estado social" quando, na sua opinião, "o que encontramos é a criação de um estado paralelo com contratualização de tudo com os privados, das creches ao diagnóstico e ao tratamentos [na saúde], com o Estado a demitir-se de todas as suas funções" e, pelo contrário, "com a criação de uma rede clientelar".

"Este Governo depois de ter privatizado tudo, da energia aos aeroportos, agora quer acelerar a privatização de todos os transportes públicos", afirmou ainda a líder bloquista, sublinhando que "este governo quer vender todas as partes deste país".

"Há hoje condições para uma alternativa", proclamou Catarina Martins, rematando: "Em 2011 existia um Pedro Passos Coelho na oposição de se opunha a cortes de salário e a aumentos de impostos, espero vê-lo aqui novamente, na oposição".

Passos lança alfinetadas ao PS

Enquanto a líder do BE falava, Passos Coelho, literalmente, chorou a rir. Ficou por se saber exactamente porquê, mas o primeiro-ministro entrou também a matar na resposta a Catarina Martins. E, nas entrelinhas, mandou algumas alfinetadas ao PS.

Enquanto a ouvia, disse, "foi crescendo em mim a curiosidade de conhecer o acordo político" com o PS e com o PCP, disse, salientando que "ainda não se percebeu bem" quais as posições relativas de cada um dos três líderes. "O discurso que mantém aqui deixa-me cada vez mais persuadido que o BE mudou pouco na sua posição e que isso nos deve deixar alguma pista sobre o muro que foi transposto", ou, por outras palavras, sobre quem mais teve de ceder para que o acordo se fizesse.

O BE, lamentou, continua a ter "concepções radicais e orgânicas sobre o papel do Estado", quando, pelo contrário, "todos temos o direito a ter uma vida social que não seja controlada pelo Estado, definida pela AR ou pelos dirigentes políticos".



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