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Catroga: Portas volátil e Passos sem capacidade de gerir parceiro são culpados pela crise

O presidente da EDP diz, em entrevista ao DE e à Antena 1, que o futuro do actual Governo está nas mãos do CDS-PP. Sem acordo para a salvação nacional, a existência de um governo de transição é baixa. Seja qual for o Executivo, tem de continuar a tomar medidas de reforma do Estado.

Pedro Elias/Jornal de Negócios
Negócios 15 de Julho de 2013 às 11:25
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Paulo Portas atrasou, sempre, a apresentação do guião para a reforma do Estado, mostrando-se cada vez mais longe do Governo. Passos Coelho não soube gerir este parceiro de coligação volátil. Os dois são, na opinião de Eduardo Catroga, os responsáveis pela crise que Portugal está a viver neste momento.

 

Numa entrevista ao “Diário Económico” e à Antena 1, o antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva considera que o ministro dos Negócios Estrangeiros “não apresentou as medidas para a reforma da despesa pública ligada com a reforma do Estado, atrasando sempre a apresentação do famoso guião”, além de ter dado sinais, “dentro e fora do Governo, de que estava cada vez mais com o pé de fora”.

 

Esse posicionamento é um dos culpados pela actual crise mas não é, por si, o único, segundo o homem que negociou, do lado do PSD, o acordo com a troika em 2011. O primeiro-ministro não soube lidar com o líder do partido da coligação de forma adequada nem de o “amarrar”, já que Portas “tinha tendência história para a volatilidade”. Catroga tinha já falado, ao “Sol”, em “erros que não imaginava” que Passos Coelho fosse capaz de cometer.

 

Nos últimos dias, Catroga tem sido duro com Portas e já na semana passada, em entrevista à SIC Notícias, afirmou que era normal existirem tensões dentro de uma coligação. “O que não é vulgar”, disse, “é o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros fazer um comunicado a dizer que se demite” surpreendendo o Chefe de Estado e o líder do Executivo.

 

Futuro nas mãos do CDS-PP. Se não houver outra “birra”

 

 
Catroga não se vê como mediador

Eduardo Catroga também falou, na entrevista, na personalidade de mediador que chegou a ser pedida por Cavaco Silva – embora tenha sido noticiado que já se deixou cair tal ambição. O economista aceita os nomes que têm sido avançados como Ramalho Eanes, Rui Vilar e Silva Peneda. Sobre ele próprio ocupar esse “cargo”, o antigo ministro das Finanças diz que esteve ligado ao PSD em vários momentos, como quando negociou o memorando com a troika, e isso não o habilita para essa função. “Embora sendo independente, toda a gente pensa que sou do PSD e, em política, o que parece é”.

 

É, aliás, nas mãos do CDS-PP que está a continuidade do actual Governo. “Se o CDS-PP não tiver outra birra política – o que não é de excluir –, o Governo apresentaria, na minha perspectiva, uma moção de confiança à Assembleia da República e teria toda a legitimidade para continuar a governar e para tomar as medidas a que o País se comprometeu perante a troika”, afirmou Eduardo Catroga na mesma entrevista. Na passada sexta-feira, o partido ecologista Os Verdes apresentou uma moção de censura ao Executivo que será votada esta quinta-feira.

 

Mesmo que o Partido Socialista não consiga atingir um acordo com os dois outros partidos, como pediu o Presidente da República no “compromisso de salvação nacional” e para o qual há um prazo de uma semana, o Governo de Passos e Portas “teria toda a legitimidade para negociar o programa cautelar sem o PS”.

 

Contudo, o economista avança, na entrevista ao “Diário Económico” e à Antena 1, que o acordo entre os três partidos do arco da governabilidade (PSD, CDS-PP e PS) poderá concretizar-se sem a criação de um novo Governo. Isto porque o actual Executivo está em plenitude das suas funções e o PS só diz que não vai integrar este Governo. Mas, adianta, “até pode haver um acordo de incidência parlamentar ou uma abstenção [do PS] em todas as medidas que tiverem de ir à Assembleia da República”.

 

Governo de transição com baixa probabilidade de existir

 

Eduardo Catroga reforça, no entanto, que tudo depende do comprometimento do CDS-PP para com as medidas que for preciso implementar. “Se não for bastante para tomar medidas, e se o PS não quiser participar, só restará ao Presidente nomear um governo de transição até às eleições, evitando eleições antecipadas”.

 

Penso que o primeiro-ministro só iria para um Governo de transição 'à Monti [Itália]' numa situação extrema.

 

Eduardo Catroga, ao "Diário Económico" e Antena 1

 

Certo é, na opinião do presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, que a aposta num Governo dessa estrutura será a última opção. “Em função dos sinais que tenho do posicionamento do primeiro-ministro – faltam-me os sinais do lado do CDS-PP –, penso que o primeiro-ministro só iria para um Governo de transição 'à Monti [Itália]' numa situação extrema, e essa probabilidade é reduzida”.

 

Para o futuro, há duas opções para Portugal. Ou investe num regresso normal aos mercados com a ajuda do programa cautelar que tem vindo a ser falado – os moldes não são conhecidos mas será uma garantia de ajuda ao País no percurso de transição até uma autonomia no financiamento – ou então terá de se preparar para um segundo resgate, com todos os riscos que isso traz consigo.

 

Seja qual for o Governo que faça esse caminho, não tem grandes alternativas. “Qualquer que seja o governo vai ter como objectivo cumprir os compromissos assumidos. Portanto, vai continuar a ter que tomar medidas”, disse, reiterando a necessidade de ajustar a despesa pública. 

 
Eduardo Catroga

Eduardo Catroga é o actual presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, cargo que ocupa desde a última fase de privatização da eléctrica, Dezembro de 2012, quando a China Three Gorges adquiriu 21,35% do capital. Nesse ano, tinha sido a cara do Partido Social Democrata na negociação com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) para a elaboração do memorando de entendimento que serve de base ao resgate financeiro a Portugal. Antes disso, também negociou com o Executivo de José Sócrates o Orçamento do Estado para 2011. Sucedendo a Braga de Macedo, foi ministro das Finanças de um Governo de Cavaco Silva entre 1993 e 1995.

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