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Centeno: "Portugal tem tentado fazer a avançar a economia com uma roda que é um triângulo"

O coordenador do programa económico do PS, Mário Centeno, acredita que o ritmo mais lento na redução do défice no programa do PS é um sinal politico forte e que marca, por isso, o virar da página na austeridade em Portugal.

Bruno Simão
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 11 de Novembro de 2015 às 23:03
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"O que nós temos tentado fazer em Portugal é fazer a economia avançar com um carro" que no lugar de uma roda temum triângulo. "Nós [PS] estamos a pôr uma roda no lugar do triângulo", explicou esta quarta-feira, em entrevista à RTP3, Mário Centeno, coordenador do programa macroeconómico do Partido Socialista e o nome mais apontado para próximo ministro das Finanças.


"Um país não consegue crescer se não ultrapassar problemas muito sérios como a pobreza", afirmou o deputado socialista. "A questão dos rendimentos e exclusão são cruciais para criar o tal ambiente entre os factores de crescimento", argumentou.

No entender de Centeno, "a sustentabilidade dos sistemas económicos não se avalia apenas pela dimensão financeira, mas na sua conjugação com uma dimensão de cariz económica e social". "Temos de avaliar o alívio das condições financeiras", notou.

"O que nos propomos fazer é um conjunto vasto de medidas que viram a página da austeridade", começou por afirmar o economista, explicando que o objectivo de um programa socialista é de "alterar as condições em termos económicos e financeiros" e "desfazer dessas medidas da austeridade".

E isso, explicou Centeno, "requer alterações de políticas", tomadas no entanto "com responsabilidade financeira". "Foi isso que guiou os entendimentos que estabelecemos com os nossos parceiros que chegaram [BE, PCP e Os Verdes]", esclareceu o deputado socialista.

O nome mais apontado como o mais provável próximo ministro das Finanças criticou "a destruição do tecido empresarial por efeito das políticas de austeridade". "As importações de bens de consumo cresceram 30%, se tirarmos a indústria automóvel. Cresceram muito fortemente nos últimos dois anos, o que tem a ver não só com a procura interna mas também com o aumento de exportações", explicou Centeno. No entanto, alertou que "a produção das empresas portuguesas para o mercado nacional, para os bens de consumo, caiu 5,3%". Tal fenómeno encontra justificação na diminuição da "produção interna em Portugal para bens de consumo" e consequente obrigatoriedade "de recorrer a importações".

Questionado sobre as medidas do programa do PS que prevêem um aumento da despesa do Estado e que somadas aos cortes de algumas receitas ainda antecipam uma diminuição do défice, Centeno respondeu explicando que delas resultará "um impacto económico esperado no consumo, empresas e emprego". Um impacto que "tem a ver com os multiplicadores", afirmou, sublinhando que faltou explicar "o impacto negativo dos cortes [do Governo de Passos Coelho] na economia".

Mário Centeno desvalorizou os comentários internacionais, quer na imprensa, quer em relatórios, sobre as consequências da alteração política do Parlamento e as comparações com a Grécia. O economista disse ainda que espera que a bancada da direita aprove "tudo com o que concorde". 


(notícia em actualizada às 00:10)
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