Política Chineses da HNA podem fazer Lisboa concorrer com Heathrow ou Schiphol

Chineses da HNA podem fazer Lisboa concorrer com Heathrow ou Schiphol

Diogo Lacerda Machado rejeita ter ligações aos chineses que controlam a Hainan Airlines, mas acredita que esse investimento “é o melhor que podia acontecer à TAP” e pode valorizar o “hub” do aeroporto de Lisboa.
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Bruno Simões 27 de abril de 2016 às 14:21

O advogado que ajudou, em representação de António Costa, o Estado português a recuperar 14% do capital da TAP considera que a entrada do grupo chinês HNA no capital da transportadora portuguesa pode ser "do melhor que venha a acontecer à TAP". Isto porque, para Lacerda Machado, a HNA é "o caso mais sério a Oriente de crescimento e consolidação" do transporte aéreo, em alternativa às "companhias do Golfo" Pérsico.

 

O grupo HNA é um "agente de consolidação na China, onde controla 10 companhias", entre as quais a Hainan Airlines, que no conjunto têm "821 aviões". É também "o maior emissor de tráfego a partir da China, o dono do maior emissor de turistas (40 milhões), dono do maior operador de handling do Mundo, a Swissport", bem como "locador de 300 aviões", o que "pode trazer capacidade financeira acrescida e pode fazer de Lisboa um ‘hub’ alternativo a Heathrow [Londres] ou Schiphol [Amesterdão] ", antecipa Lacerda Machado.

O aeroporto de Heathrow, em Londres, é o mais movimentado da Europa, com quase 75 milhões de passageiros no ano passado. Schiphol, em Amesterdão, foi o quinto com mais passageiros movimentados no ano passado, 58 milhões. O aeroporto de Lisboa surge em 28º lugar nesta lista, com 20 milhões de passageiros, imediatamente à frente do aeroporto de Milão (Malpensa).

 

A HNA é o grupo "que tem maior capacidade de gerar tráfego e que se interessou pela TAP e pela Azul", a companhia brasileira detida por David Neeleman, que manda na TAP com Humberto Pedrosa, e que "pode hoje preencher o papel que estava reservado para a Varig". "O grupo HNA pode ser o caso mais sério e do melhor que venha a acontecer à TAP, a Lisboa e à economia que tudo isto pode gerar", sustenta Lacerda Machado.

 

No início da sua audição, Lacerda Machado negou ter ligação "directa ou indirecta" à HNA, e revelou que foi o ministro da Economia do anterior Governo, António Pires de Lima, a levar a companhia a interessar-se pela TAP. "O anterior ministro da Economia mencionou, ele mesmo, ter estimulado o grupo HNA a olhar para Portugal", revelou. "O actual Governo fez um juízo positivo da entrada da HNA na TAP, que partilho", rematou.

 

HNA vai controlar 10% a 13% da TAP

 

O memorando de entendimento entre o Governo e o consórcio privado Atlantic Gateway para a recompra de 16% do capital da empresa, assinado em Fevereiro, prevê a entrada do grupo chinês na TAP. Nessa altura, David Neeleman, um dos novos donos da TAP, revelou à Lusa que os chineses acabarão por ficar "indirectamente com 10% a 13% da TAP", que o anúncio desta participação deve acontecer "ainda este ano" e que os pormenores da rota com a China "deverão ser conhecidos na mesma altura".

 

O controlo é indirecto porque a HNA vai investir na Azul, a companhia de David Neeleman, que, por sua vez vai investir na TAP.




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