Política Costa apertado da esquerda à direita por causa da saúde

Costa apertado da esquerda à direita por causa da saúde

No primeiro debate quinzenal de 2019, o primeiro-ministro quis falar de consenso sobre o investimento público. A oposição respondeu ao tema, mas do BE ao CDS, todos criticaram o Governo pela falta de resposta da saúde.
Margarida Peixoto 11 de janeiro de 2019 às 12:34

Para o PSD, o Governo tem o "recorde negativo" do investimento público, com os problemas da saúde à cabeça. Para o CDS, este governo provocou uma "onda inédita" de demissões em cargos de direção na saúde, espalhada pelo país inteiro. Para o BE, a proposta do Governo para a lei de bases da saúde é ambígua no papel que quer dar aos privados. E para o PCP, Costa devia era acabar com a PPP do Hospital de Braga.

Da esquerda à direita, o primeiro-ministro foi apertado por causa do estado da saúde, no debate quinzenal desta sexta-feira, na Assembleia da República. António Costa foi-se socorrendo dos números de contratação de pessoal para o Serviço Nacional de Saúde, atirou culpas para o Governo de Passos Coelho e os cortes impostos nessa altura e garantiu que o investimento está a subir.

Mesmo assim, o primeiro-ministro acabou por ser obrigado a reconhecer que "há inúmeros problemas na saúde" e que o Governo tem "consciência do estado em que está".

Costa lançou o debate pelos grandes investimentos públicos, mas rapidamente o PSD levou o tema para casos particulares da saúde, frisando a demora das listas de espera para consultas de especialidade. "O que é que aconteceu para só agora se lembrarem do investimento público", questionou o líder da bancada parlamentar dos social-democratas, Fernando Negrão.

O primeiro-ministro ainda ensaiou uma provocação, dizendo que o PSD estava "nervoso", com "um problema de saúde à flor da pele", mas acabaria por ser forçado a largar a forma e entrar numa discussão de conteúdo. Foi assim que começou a debitar números para defender o trabalho do Executivo na área da saúde, garantindo que foram contratados "mais nove mil" recursos humanos para este sector, que o investimento subiu "35%" e que a dívida do SNS já caiu "40%", apesar da subida registada em 2015, 2016 e 2017 pelo Tribunal de Contas.

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Catarina Martins, líder bloquista, quis vincar que não basta o Governo fazer declarações públicas a favor do SNS, em detrimento de mais negócio para os privados. Será preciso "desambiguar" a lei de bases da saúde, na discussão de especialidade.

Já Assunção Cristas, pelo CDS, acusou o Governo de provocar uma "onda inédita" de demissões na saúde, por falhar as promessas de contratação de mais pessoal e de mais investimento. Ao mesmo tempo, acusou o Governo de aumentar os gastos desnecessários quando deixou acumular dívidas no SNS, que têm um custo.

Costa argumentou que a dívida representa "despesa feita para a saúde dos portugueses", mas a presidente dos centristas conseguiu irritar o primeiro-ministro quando o acusou de governar com a "herança socrática", de quem defende que as dívidas "não são para se pagar, são para ser geridas". "A minha tradição é ter herdado uma câmara falida pela gestão da direita e tê-la posto em condições", respondeu o primeiro-ministro, referindo-se à Câmara Municipal de Lisboa, onde foi presidente.

Jerónimo de Sousa, pelo PCP, denunciou o apetite dos privados pela saúde, e desafiou o primeiro-ministro a acabar com a parceria público-privada do Hospital de Braga, aproveitando o facto de o grupo José de Mello ter pedido para rever as condições do contrato. Em resposta, o primeiro-ministro acabou por criticar a comunicação social, frisando que não vê "reportagens sobre as filas de espera nos privados" e acusando-a de ser instrumentalizada para a propaganda de direita.




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