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Costa elogia geringonça: “É preciso recuar umas décadas para ver tantos dias sem greves”

O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira, perante uma plateia de empresários, que o modelo de apoio parlamentar da esquerda ao seu Governo é mais “saudável” que as tradicionais coligações. E permitiu “uma distensão grande” no país, com o fim das greves.

Bruno Simão
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 14 de Junho de 2016 às 19:10
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António Costa marcou presença esta terça-feira, 14 de Junho, num almoço-debate com empresários na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. Uma estrutura que é presidida por Bruno Bobone, "amigo e colega desde os tempos liceu" do actual-primeiro-ministro, que até hesitou se devia tratar o chefe de Governo por "tu". Perante a preocupação dos empresários, Costa lembrou que as estatísticas dizem que há muito que não havia tão poucas greves.

 

Bruno Bobone começou por dizer que "é com as empresas e não contra as empresas" que se "desenvolve o bem-estar dos portugueses". E avisou Costa que "se não cuidar da estabilidade destes criadores de riqueza, de postos de trabalho e de distribuição" – leia-se empresários – então "é todo o país que vai sofrer".

 

Durante o debate, António Costa ouviu um outro empresário preocupado. "Preocupa-nos imenso a sua maioria ser suportada por dois partidos que são contra a iniciativa privada", afirmou Peter Villax, presidente da Associação das Empresas Familiares e administrador da Hovione. E um aviso: "No dia em que perder o nosso apoio terá que se virar ainda mais para os partidos que viabilizam o seu Governo".

 

Na volta do correio, António Costa preferiu ver o copo meio cheio. Primeiro, com um apontamento bem-humorado, dirigido a Villax. "Lembro-me de ter reunido consigo na minha anterior qualidade, enquanto negociava a solução de Governo. Vejo-o mais sorridente e tranquilo do que estava na altura", atirou, provocando risos na plateia.

 

Foi também com ar bem-disposto que Costa assinalou que a geringonça, como é caracterizado o acordo de incidência parlamentar entre PS, PCP, Bloco e Verdes, "permitiu uma distensão grande no país: vi uma estatística que indicava que era preciso recuar umas décadas para ver tantos dias sem qualquer tipo de greve. Isso é muito importante para a estabilidade social", observou.

 

Actual maioria é "mais saudável"

 

O primeiro-ministro fez também uma análise mais fria sobre o processo que levou à formação de um Governo apoiado à esquerda. "A pior coisa que podia acontecer é o que aconteceu em muitos países da Europa", que Costa não quis nomear, "onde foi impossível formar Governo e têm de repetir eleições" – o caso mais evidente é Espanha –, ou onde "o grau de diluição das alternativas políticas conduziu à formação de radicalismos".

 

Em Portugal, nada disso aconteceu. "Temos tudo a ganhar em preservar boas condições de termos alternativas capazes de gerar maiorias, que sejam estáveis". E "é muito saudável existir a maioria que existe", tal como "foi saudável existir no anterior Governo a maioria que existiu".

 

Depois, Costa explicou o que distingue esta maioria de uma coligação de Governo. Nesta existe "o respeito pela identidade própria de cada um". "O modelo anterior era de coligação governamental, em que cada partido tinha de encolher a sua identidade a benefício dos demais". Este "é um modelo saudável, tem-nos permitido criar condições de estabilidade e tem condições de estabilidade para o horizonte da legislatura", reiterou Costa.

 

O que teria acontecido se Portugal só apostasse nas exportações?

 

A fechar, Costa assinalou que tem existido uma "progressiva melhoria" nos indicadores de confiança. E notou que, durante "dois anos consecutivos", o inquérito de conjuntura do INE apontava como razão para a falta de investimento dos empresários "a falta de expectativas quanto ao mercado interno", que tem sido dinamizado pelo actual Executivo.

 

No seu discurso de abertura, aliás, Costa fez questão de referir a importância do mercado interno. "Não é uma questão de opção; é a compreensão de que nenhum país pode crescer exclusivamente com base em exportações e esquecer o mercado interno", frisou. "O que teria acontecido à economia se tivéssemos ignorado a dimensão interna da economia nos últimos meses" e "estivéssemos a acomodar as quedas abruptas que ocorreram no mercado angolano e chinês?", questionou.

Quando terminou a sua intervenção, António Costa mostrou à plateia um parafuso que tinha retirado do palanque. E perguntou se não iria causar um "grande prejuízo" à Câmara de Comércio, provocando novamente gargalhadas na plateia.

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