09 de outubro de 2019 às 20:30
Bloco propõe "entendimento que possa ser plasmado no programa de governo"
Bloco propõe "entendimento que possa ser plasmado no programa de governo"
A coordenadora bloquista não quis deixar margem para dúvidas quanto ao grau de envolvimento que pretende assumir na governação para os próximos quatro anos: "O Bloco de Esquerda apresentou, nesta reunião, a proposta de um caminho para um entendimento que possa ser plasmado no programa de governo desde a primeira hora", disse Catarina Martins apontando a um "horizonte de legislatura". 

As exigências do Bloco para tal compromisso duradouro são "as medidas que todo o país conhece", e vão da recuperação de rendimentos e direitos com o fim das medidas da troika ainda presentes na legislação laboral, reforço dos serviços públicos (SNS, habitação, transporte públicos), resposta à emergência climática - no fundo uma "recuperação de salários e direitos em Portugal". 

Catarina Martins explicou que o PS "analisará a proposta" feita pelo Bloco que, caso venha a ser rejeitada pelos socialistas, não retira a "disponiblidade do BE para negociar legislação e os orçamentos do Estado ao longo dos quatro anos". Uma vez mais, Catarina Martins confirmou preferir um acordo de legislatura, mas não exclui, à imagem do que querem PCP e Verdes, negociar caso a caso, orçamento a orçamento com um governo minoritário do PS. 

Se uma coligação de governo com PS "está fora de questão", desde logo porque os votos conquistados pelo Bloco nas legislativas "não abrem esse caminho" em termos da relação de forças do próximo Parlamento, a existência de um compromisso escrito "vai depender da convergência que conseguirmos alcançar nas matérias que são essenciais para o BE". 

Catarina Martins defendeu que a estabilidade verificada na última legislatura ficou a dever-se à "estabilidade na vida das pessoas", carregando na tecla de que um entendimento incluído no programa de governo é a melhor forma de garantir que essa realidade continua.

"Estamos a trabalhar para saber se é possível uma solução reforçada que dê estabilidade à vida das pessoas", rematou.