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Costa vai pôr economistas a estudar o que pode prometer nas eleições de 2015

O candidato a primeiro-ministro do PS vai encomendar a "uma equipa de economistas" a elaboração do quadro macroeconómico que vai servir de base ao programa de Governo – que, avisa António Costa, não é a Agenda para a Década. Essa vai agora ser melhorada.

Bruno Simão/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 07 de Novembro de 2014 às 19:47
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O programa de Governo com que António Costa se vai apresentar às eleições legislativas de 2015 deverá ser apresentado na Primavera do próximo ano, anunciou esta sexta-feira o candidato do PS a primeiro-ministro. Vai ser elaborado com base em contributos da sociedade civil, vai inspirar-se na Agenda para a Década hoje divulgada, e também vai estar balizado, nos seus objectivos políticos e metas orçamentais, na análise de uma equipa de economistas que será contratada para o efeito.

 

"Começaremos por encomendar a uma equipa de economistas a elaboração do quadro macroeconómico que balizará a elaboração do programa do Governo", quer "nos limites" quer também "nas prioridades de política", uma vez que "a acção política tem influência na economia", explicou António Costa. Tudo isso porque "a credibilidade do programa de Governo tem de assentar num cenário macroeconómico fiável" e é essencial que exista uma "definição da estratégia plurianual que dê suporte efectivo" a esse cenário.

 

Costa discursou em Coimbra, na apresentação dos documentos que levará ao congresso de 29 e 30 deste mês: a moção ao congresso, a Agenda para a Década e as propostas de alteração dos estatutos.

 

A elaboração de um orçamento plurianual é uma das inovações do candidato a primeiro-ministro contida na Agenda para a Década. Mas atenção, esse documento não é o programa de Governo. É sim "o contributo do PS para ser desenvolvido pelos parceiros e organismos sociais" bem como "pelas universidades", "organizações cívicas e movimentos de cidadãos", e é ainda uma "base para concertação aberta a outras forças políticas", garante Costa.

 

"Não é nem o programa do próximo Governo nem o caderno reivindicativo de qualquer um destes parceiros", esclareceu o também presidente da câmara de Lisboa. Porém, "sendo o contributo do PS, não é um contributo neutro, é um contributo enraizado nos nossos valores, e não deixará de inspirar o programa da próxima legislatura, que elaboraremos em coerência com esta visão para o país", promete.

 

A estratégia de governação dos socialistas, diz Costa, tem "de superar a tradicional elaboração de programas políticos. Para assegurar o que queremos assegurar é necessário garantir transversalidade dos objectivos, em quatro grandes pilares de medidas de acção: valorizar recursos, modernizar a actividade económica e o Estado", investir em cultura e ciência e "valorizar a coesão social". Precisamente os objectivos da Agenda para a Década.

 

Maioria não exclui consensos

 

Costa reforçou uma ideia que consta da sua moção ao congresso: apesar de apontar à maioria absoluta, o candidato diz que isso não fecha a porta a outros entendimentos. "Ganhar as eleições com maioria absoluta é condição essencial para a formação de um Governo estável e coerente", com "força política para se bater na União Europeia" e "capaz de conduzir acção uma politica consistente", começou por dizer.

 

Mas "para não se alimentarem tabus nem equívocos, consideramos que a maioria absoluta é necessária mas não é condição suficiente". Também é necessária "concertação e acordos alargados. Seremos uma maioria plural, aberta e promotora do diálogo político e social", promete.

 

O PS também recusa "o conceito de arco da governação como critério de exclusão das esquerdas à esquerda do PS das suas responsabilidades de também contribuírem no Parlamento" com soluções. "Registamos como positiva a emergência de novos movimentos políticos que procuram quebrar o sectarismo anti-PS que bloqueia o diálogo", acrescentou, numa referência indirecta ao Livre.

 

Para Costa, a democracia "só se enriquece" se houver uma política alternativa no próximo ano. O actual Governo é "fracassado, esgotado e incapaz". É "um Governo que abusou da austeridade muito para além da própria troika, que cortou nos salários de quem trabalha e nas pensões de quem fez descontos ao longo de toda a vida".

 

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