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Costa critica União Europeia e diz que "centrões" políticos favorecem populismos

O secretário-geral do PS criticou duramente o caminho da União Europeia e defendeu que a via seguida pelos socialistas portugueses reforça as alternativas em democracia, ao contrário das lógicas de "centrão político" que favorecem os populismos.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 19 de Maio de 2016 às 00:01
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Para o líder socialista, a União Europeia vive "numa depressão política", com "ingleses a discutirem se ficam ou vão embora, com países ainda recentemente entrados na União Europeia e no espaço Schengen a fecharem as suas fronteiras para travar a liberdade de circulação, com a impotência da Europa em resolver a crise dos refugiados e sem responder com robustez ao relançamento da economia".

 

"De facto, interrogamo-nos se é possível continuar a deixar a Europa ir por este caminho. Não, não é possível deixar a Europa ir por este caminho", salientou o secretário-geral do PS esta quarta-feira à noite.

 

António Costa falava perante centenas de militantes socialistas, na sessão de apresentação da sua moção de estratégia ao Congresso Nacional do PS, que se realizará entre 3 e 5 de Junho em Lisboa.

 

Entre as fórmulas políticas de resposta a essa crise europeia, Costa falou na experiência das "grandes coligações", que juntam o centro direito e o centro esquerda, ou a via seguida pelos socialistas portugueses, que formam um executivo suportado por outros partidos à sua esquerda.

 

"A resposta aos populismos não é diluir as diferenças ou fazer grandes coligações, porque depois já ninguém distingue e tudo parece farinha do mesmo saco. Tudo parece um enorme centrão entre a direita democrática e os socialistas democráticos", sustentou.

 

Na perspectiva do líder dos socialistas, "só há democracia quando se afirmam alternativas democráticas - e as alternativas na Europa são as grandes famílias que nasceram após a II Grande Guerra Mundial", a democrata-cristã e a socialista democrática.

 

"Nós não podemos abdicar de ser uma dessas grandes famílias, porque quando nos diluirmos nas correntes neoliberais ou sociais cristãs os cidadãos deixarão de ter uma alternativa no campo democrático. Assim, só estaremos a contribuir para fortalecer os radicalismos, tal como se tem visto em muitos países da Europa", advogou.

 

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS também falou sobre os objectivos partidários ao nível das eleições autárquicas, referindo que em 2017, pela primeira vez, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto serão eleitas directamente pelos cidadãos.

 

Segundo Costa, no caso da capital, implicará uma articulação entre as estruturas socialistas de Lisboa e de Setúbal.

 

Em relação ao PS, o líder socialista referiu que o seu partido não poderá cometer "erros do passado" e tem de se manter activo e em ligação com todos os sectores sociais. "Não podemos cometer o erro de fechar para obras quando estamos no Governo", disse o secretário-geral do PS.

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