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António Costa: "Se o secretário-geral não convocar o congresso, apresentarei essa proposta na comissão nacional"

O autarca lisboeta considera que a liderança do PS é “uma questão política”, que não deve ser resolvida de forma administrativa. Por isso, António Costa defende a devolução “da palavra aos militantes”.

Bruno Simão/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Maio de 2014 às 19:10
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Menos de uma hora e meia foi quanto durou a conversa "cordata" entre o secretário-geral do PS, António José Seguro, e o actual presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

 

À saída da reunião realizada na sede socialista no Largo do Rato, António Costa evidenciou a sua "disponibilidade para liderar o processo" que permita ao PS constituir alternativa concreta ao Governo. Ou seja, António Costa assume que quer ser líder do partido e garante que apresentará a sua vontade na Comissão Nacional do próximo sábado.

 

"Se o secretário-geral não convocar o Congresso, apresentarei essa proposta na comissão nacional", afirmou António Costa à saída do encontro com António José Seguro.

 

Questionado sobre a posição transmitida pelo líder do PS, Costa preferiu manter a pose. "O secretário-geral teve a amabilidade de me ouvir mas não me transmitiu a sua decisão", esclareceu o autarca.

 

O proponente a líder socialista sublinhou ter dito a Seguro que é "muito importante devolver a palavra aos militantes socialistas", assegurando ter revelado ao secretário-geral estar disponível para liderar o partido.

 

Depois de na terça-feira a direcção socialista ter anunciado que António Costa teria de recolher as assinaturas necessárias para se candidatar, resguardando-se no facto de o PS ser "um partido com regras", o edil lisboeta lembrou que no PS "não há a tradição de se resolver administrativamente questões que são politicas".

 

"Há uma questão política que se resolve facilmente, devolvendo a palavra aos militantes", acrescentou. Numa espécie de ataque à postura defensiva do secretariado geral socialista atirou ainda que "é nestas questões metodológicas que muitas vezes se cria um fosso entre os eleitores e os partidos", situações que "interessam muito pouco aos cidadãos", concluiu.

 

Consciente dos estatutos do PS, António Costa lembrou que caberá a Seguro "ponderar se toma ou não a iniciativa de convocar" um Congresso extraordinário. Mas assegura considerar "natural que haja Congresso. "E eu serei candidato nesse Congresso", rematou.

 

 

Disputa que se anunciava

 

Esta conversa estava agendada desde domingo à noite. António Costa terá enviado uma sms a Seguro logo à saída do programa televisivo Quadratura do Círculo onde analisou a noite eleitoral, tendo considerado o resultado do PS "uma vitória que soube a pouco".

 

Mas se o encontro desta quarta-feira estava apenas agendado desde domingo, o duelo entre Costa e Seguro estava agendado há muito, embora sem data ainda definida. Foi uma "vitória de Pirro", nas palavras do fundador socialista Mário Soares, a precipitar o vendaval há muito anunciado.

 

Quando, em 2011, Francisco Assis avançou para a luta com Seguro pela liderança do PS, muitas foram as vozes que garantiam que António Costa preferira aguardar por melhor oportunidade. Costa terá vislumbrado essa possibilidade quando em Janeiro do ano passado ameaçou desafiar a liderança do actual secretário-geral. Todavia tudo acabou num acordo de circunstância em que poucos acreditaram.

 

Costa resguardou-se mas depois das autárquicas voltaria à carga. Em reacção aos resultados das eleições locais de Setembro de 2013, notou que o PS ainda não era uma alternativa clara ao Governo, realçando o elevado número de votos brancos e nulos para justificar a sua tese.

 

As eleições europeias deste domingo serviram para Costa lançar novo ataque. Agora resta saber se a investida do autarca lisboeta tem resultados práticos numa mudança de liderança ou se servirá apenas para enfraquecer a posição do actual líder socialista.

  

(Notícia actualizada às 19h35m com mais informação)

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