Política Costa para Seguro: “Deves estar desde pequeno a sonhar ser secretário-geral do PS”

Costa para Seguro: “Deves estar desde pequeno a sonhar ser secretário-geral do PS”

As acusações subiram de tom no último debate e as trocas de palavras foram tão intensas que, por vezes, nem era possível perceber o que os candidatos diziam. Costa acusou Seguro de não apresentar propostas e de nunca ter feito nada contra a corrupção, este disse que não aceita lições de moral.
Bruno Simões 23 de setembro de 2014 às 22:54

No último debate antes das primárias, transmitido esta terça-feira na RTP, Costa e Seguro interromperam-se e atropelaram-se como não se tinha visto nos dois debates anteriores. O autarca de Lisboa acusou Seguro de não ter feito nada contra a reforma das freguesias, de nunca ter feito nada contra a corrupção e de tratar como "traidores" os camaradas de partido. Seguro disse que Nuno Godinho de Matos era um exemplo dos apoiantes de Costa, acusou o autarca de ser contra o interior e de ser o candidato do "status quo".

 

O debate começou a tornar-se mais intenso quando Seguro acusou o adversário nas primárias de não ter avançado para a liderança do PS há três anos porque era "difícil" e agora "é fácil". Costa não teve papas na língua. "Deves estar desde pequeno a sonhar ser secretário-geral do PS. Há três anos entendi que havia dois quadros disponíveis", um deles Francisco Assis, "que apoiei, e entendi que não me interpusesse". Além disso, "nessa altura tinha a câmara de Lisboa numa situação financeira muito difícil" e um "Plano Director Municipal (PDM) para fazer".

 

E não desarmou. "O difícil começa agora. Fácil foi fazer oposição era quando estava cá a troika", afirmou. "Já deste a cara em alguma eleição? Não aceito essas lições", acrescentou ainda o autarca. Seguro respondeu que foi "candidato várias vezes quer como deputado quer para Assembleias Municipais". "Estou convencido que nesta campanha houve uma mais-valia: os portugueses começaram a conhecer-te melhor", atirou o líder do PS. "Coragem de avançar nos momentos difíceis teve o Assis e tive eu", rematou.

 

Interior perde mais com a redução de deputados, acusa Costa

 

O tema da redução dos deputados de 230 para 181 também aqueceu os ânimos. "É uma desonra para o PS", acusou Costa, acrescentando que "25% da representação do interior desaparecia" com essa redução, e o "PCP perdia um terço da representação e o Bloco de Esquerda perdia metade". "O hábito de ganhar na secretaria é um mau hábito. É uma lei má, que não honra a história do PS", concluiu Costa.

 

Seguro ripostou e disse que os argumentos de Costa eram "absurdos". "É falsa esta ideia de que os pequenos partidos vão ser trucidados e anulados; há um reforço da proporcionalidade. Se há redução de deputados, todos os círculos contribuem, mas não perdem o seu peso proporcional; perde mais Lisboa que tem 47", argumentou. Costa haveria de acrescentar que "o que Seguro chama de absurdo chama-se matemática. Se se for criar um círculo de compensação, o efeito que tem é agravar a sub-representação do interior", e a "redução do interior em vez de ser de 25% é superior".

 

Mas Seguro também acusou Costa de não se preocupar com o interior, porque "quando era ministro da Administração Interna, defendia a redução de todas as freguesias com menos de mil eleitores". O que levou Costa a acusar Seguro de ser co-responsável para a reforma das freguesias, que cortou 1.165 destas estruturas. "Se temos esta reforma absurda que temos é porque o PS não assumiu as suas responsabilidades. Teve medo, pôs-se à margem, e deixou o Governo fazer o disparate que fez", acusou.

 

"Somos contra uma reorganização a régua e esquadro, nós apresentamos sempre uma proposta pela positiva", declarou Seguro. "Não apresentaste proposta nenhuma. Tu é que não tiveste iniciativa", acusou Costa, iniciando um bate-boca que tornou praticamente imperceptível o que cada um dizia. O secretário-geral do partido haveria de concluir com "não ajudes a direita, não ajudes o Governo".

 

Godinho de Matos "é exemplo dos apoiantes de Costa"

 

O caldo ficou definitivamente entornado quando o moderador do debate, o jornalista João Adelino Faria, pediu a Seguro para dar exemplos do "PS ligado aos interesses e negócios que apoia António Costa". Seguro fez-lhe a vontade. "Nuno Godinho de Matos, fundador do PS e apoiante de Costa, foi até há pouco tempo administrador do BES" e "foi advogado da Ferrostaal", empresa que fez parte da venda dos submarinos a Portugal. "Estamos a falar de um exemplo dos apoiantes de António Costa", disse Seguro.

 

Costa ficou enervado. "Se tu tivesses tido um décimo da agressividade que tens contra mim este Governo já tinha caído. Tratas como traidores os teus camaradas. O que acabaste de fazer aqui é muito feio", criticou. "Achas que tens o direito de diabolizar e acusar e fazer acusações genéricas sobre a maioria dos meus apoiantes? Achas que o Mário Soares e Sampaio me apoiam por causa dos negócios?", questionou.

 

"O que é que já fizeste de concreto na vida para combater a corrupção? Eu lancei um pacote efectivo de combate à corrupção, alterei o Código Penal para apertar a malha do crime de branqueamento de capitais", exemplificou. "É ofensivo para mim e para os milhares de simpatizantes que me apoiam. Quem recorre ao insulto e cede ao populismo não tem condições para ser primeiro-ministro", concluiu Costa.

 

Seguro acabou poder dizer que não fez um ataque pessoal mas "um ataque ao que considero que são os teus apoiantes", e acusou Costa de o tentar associar a Luís Filipe Menezes, que está a ser investigado, o que qualificou de "inaceitável".

 

"Não recebo nenhuma lição de moral tua", atirou Seguro. "Mas fazia-te falta", replicou Costa.




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