Política Cristas ataca Governo e diz que Orçamento "é o ideal para entrar em vigor a 1 de Abril"

Cristas ataca Governo e diz que Orçamento "é o ideal para entrar em vigor a 1 de Abril"

Assunção Cristas, no primeiro discurso enquanto líder do CDS, traçou quatro prioridades, entre as quais a reforma do sistema de pensões, desafiando o PS, a quem atirou farpas. Também traçou as prioridades para o partido: as autárquicas, nas quais apoiará Rui Moreira e terá um candidato "forte" em Lisboa.
Cristas ataca Governo e diz que Orçamento "é o ideal para entrar em vigor a 1 de Abril"
Bruno Simão/Negócios
Alexandra Machado 13 de março de 2016 às 15:30
Uma agenda com quatro prioridades foi o que Assunção Cristas deixou no 26.º Congresso do CDS-PP, que terminou este domingo em Gondomar com a sua eleição para a liderança do partido, sucedendo a Paulo Portas.

E se uma das reformas propostas foi a de olhar para a forma de nomeação do governador do Banco de Portugal, a nova presidente do CDS-PP falou, directamente para o PS e em particular para António Costa, quando falou da necessidade de se estudar a fundo o problema do sistema de pensões.

Prometeu que o CDS-PP o irá estudar a fundo a questão e negociará com os demais partidos uma possível solução. Pedro Passos Coelho, líder do PSD, estava a ouvir. Ele próprio tem falado na necessidade de haver um consenso dos vários partidos em torno do futuro do sistema de pensões conducente à sua sustentabilidade.

Assunção Cristas promete agora que o CDS-PP irá estudar de forma aprofundada o problema do sistema de pensões, dizendo que "a nossa vontade de estudar a fundo e aproximar posições é genuína". E continuou: "numa matéria desta relevância nacional concertar e aprofundar diálogo nunca é uma perda, é um ganho para todos os portugueses. A vontade de estudar a fundo é genuína. Veremos a disposição dos demais partidos, nomeadamente do PS". E acrescentou: se o PS recusar "cairá a máscara a António Costa". Pedro Nuno Santos, secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, era quem nas bancadas ouvia o discurso.

Para a líder do CDS-PP o caminho deveria ser no sentido de se poder organizar o tempo da vida activa, com possibilidade de paragens ao longo da carreira, permitindo a conciliação trabalho-família. E na reforma, há que estudar o sistema e promover a passagem gradual para a reforma, favorecendo o envelhecimento activo.

O sistema de pensões "é um problema relevante para ser ignorado. Esta resolução não pode ficar dependente de interesses partidários".

As outras duas prioridades traçadas por Assunção Cristas passam também por uma área que o CDS já tem vindo a referir. Abrir a ADSE "a todos os portugueses que a ela queiram aderir" é uma possibilidade que "merece ser estudada". Mas mais do que isso Assunção Cristas discorda do duplo regime laboral existente em Portugal: para o sector público e outro para o privado. "Não podemos aceitar que em matérias laborais tenhamos dois países. Não faz sentido termos dois países nesta matéria. Assim como não faz sentido uns trabalharem 40 horas e outros 35".

Finalmente, na quarta prioridade Assunção Cristas prometeu estudar sector a sector os constrangimentos das actividades empresariais, identificando obstáculos, barreiras de acesso à actividade, custos contexto, etc. Com isto feito, Cristas acredita ue pode apoiar as empresas e atrair investimento directo estrangeiro. "Os socialistas não acreditam nas empresas privadas, nós acreditamos. As empresas são feitas por pessoas, empresas são feitas por pessoas e não acreditar nelas é não acreditar nas pessoas". Assunção Cristas arrancou, aqui, uma forte ovação. 

Quase tão grande como a conseguida quando agradeceu a Paulo Portas, no início do seu discurso, dizendo que a ao agora ex-líder "muito devemos. Devemos um percurso de sucesso, de trabalho afincado e permanente, rasgo e imaginação, sensibilidade política, diária e acutilante, capacidade de antecipar, profundo amor a Portugal e ao CDS. É enorme a responsabilidade de suceder-te. O teu exemplo é e continua a ser muito inspirador". Portas ouve e comove-se.

A despedida a Paulo Portas foi seguida pela explicação de quem escolheu para o seu lado. Cristas vai ter quatro vice-presidentes e nomeou-os um a um: Nuno Melo - agradecendo a sua combatividade e argúcia - Cecília Meireles e Adolfo Mesquita Nunes. Todos vestidos em tons de azul, a cor do CDS-PPP, agradeceram. Apenas Nuno Melo não esteve no mesmo Governo de Cristas, mas abdicou da candidatura à liderança do CDS, abrindo caminho sem concorrência relevante para a liderança de Cristas.

E neste quadro, Assunção Cristas traçou também as ambições para o partido que quer mais autárquico. Às eleições regionais dos Açores, onde garante que se empenhará, seguem-se no desafio partidário as autárquicas. Já pré-anunciou o apoio a Rui Moreira, se o independente voltar a candidatar-se à Câmara do Porto, como também manterá a coligação com o PSD onde as coisas estiverem a funcionar. Dois exemplos: Cascais e Aveiro. "Onde estamos bem, e a coligação com PSD funciona, não devemos ter reticências em reassumi-la".

Mas a ambição é maior, querendo mais câmaras com o cunho do CDS. E prometeu uma "candidatura forte, ambiciosa, mobilizadora" a Lisboa. O Expresso avança que no CDS fala-se, mesmo, no nome da própria Assunção Cristas como candidata do partido a Lisboa. 

Orçamento da mentira

Se pensa já nas autárquicas, também as legislativas não ficaram esquecidas. "Não conhecemos dia e hora", mas promete trabalho "com intensidade e urgência que a cautela recomenda". O CDS-PP, de Cristas, promete "oposição firme e acutilante a este Governo, denunciando erros e riscos". O CDS-PP promete "construir" "com rigor e afinco alternativa a esta governação irresponsável e errática, que delapida o esforço dos portugueses desbarata a confiança internacional, com tanta dificuldade ganhada, que lança Portugal desprotegido a intempéries".

A crítica foi mais directa, dizendo que o governo teve a desfaçatez de aumentar imposto sobre combustíveis e, agora, o ministro da Economia veio pedir aos portugueses para não abastecerem em Espanha. "Deixe os contribuintes em paz para as suas escolhas".

O final do discurso foi quase todo virado para o PS e o actual acordo parlamentar. "Os primeiros tempos revelaram um PS igual a si mesmo, é a forma como sabem governar, dar o que não têm, prometer o que é impossível cumprir e aguentar a ilusão o máximo de tempo possível como estamos a assistir om o plano B ou C".

Cristas fala então do orçamento: "oxalá as contas à moda socialista batessem certo. Lamentavelmente não vai ser assim. O orçamento é uma ilusão, para não chamar outra coisa, é um orçamento ideal para entrar em vigor 1 Abril [dias das mentiras]". Por isso, Cristas promete que o "CDS continuará oposição firme a este governo", assumindo-se preparado "para ser parte sólida e expressiva numa alternativa de governo de centro direita em Portugal. Vamos falar para todos e com todos. Vamos ter uma grande proximidade terreno com todos portugueses. Vamos dar melhores respostas".

Cristas termina o discurso prometendo políticos todo-o-terreno e que servem o país. Para serem "a primeira escolha dos portugueses".

Assunção Cristas é a nova presidente do CDS-PP, ganhando as eleições deste 13 de Março com quase 96% dos votos. Substituiu Paulo Portas que esteve 16 anos à frente do partido.


Assunção Cristas é a nova Presidente do CDS! #estamosjuntos

Posted by CDS PP on Sunday, March 13, 2016



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