Política Deputado do PS da área da habitação acusado de despejos em Braga

Deputado do PS da área da habitação acusado de despejos em Braga

O socialista Hugo Pires, que há um ano criticou a incoerência do bloquista Ricardo Robles no tema da "especulação imobiliária", é acusado de querer despejar arrendatários para instalar no prédio um alojamento local.
Deputado do PS da área da habitação acusado de despejos em Braga
DR
António Larguesa 05 de julho de 2019 às 11:03

O coordenador do grupo de trabalho sobre a habitação, que ajudou a delinear a nova lei de bases fechada à esquerda e que será votada esta sexta-feira no Parlamento, está a ser acusado de querer despejar os inquilinos de um prédio histórico situado junto à Sé de Braga.

 

Hugo Pires é sócio (50%) da empresa de investimentos imobiliários CRIAT, que em 2017 completou a compra de um edifício localizado na Rua D. Diogo de Sousa, classificado como imóvel de interesse público e património da cidade, que dois anos antes tinha sido penhorado e depois submetido a venda judicial.

 

Os irmãos Ana e Filipe Morgado, proprietários da Mavy, um espaço cultural instalado no espaço da antiga livraria Bertrand Cruz, denunciam ao JE que o deputado está a pressioná-los para abandonar o edifício – apesar de dizerem que em 2012 assinaram um contrato válido até 2034 – para ali instalar um negócio de alojamento local. O deputado contrapõe que o que está previsto para ali é habitação permanente e comércio.



Este caso ganha maior pendor político pelo facto de Hugo Pires ser secretário nacional do PS para a Organização, deputado envolvido na discussão dos temas da habitação e também porque há apenas um ano, aquando da polémica que envolveu Ricardo Robles em Lisboa no verão passado, ironizava nas redes sociais com a incoerência do vereador bloquista num caso de "especulação imobiliária".

Incompatibilidade avaliada no Parlamento

 

Por ser acionista de uma imobiliária e também proprietário e gerente de uma empresa de arquitetura, engenharia e construção que declara, entre as suas atividades, o alojamento turístico, o dirigente socialista requereu em outubro de 2018 à subcomissão de ética um parecer sobre a compatibilidade entre os seus interesses empresariais e o exercício da presidência do grupo de trabalho parlamentar para o setor da habitação.

 

Na altura, o líder da bancada do PS, Carlos César, argumentou que "todo o país tem interesses no alojamento local, ou favoráveis, ou desfavoráveis". "Eu, pessoalmente, não seria impedido de discutir o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) por ter um carro a diesel. Em todo o caso, se se entrar nesse clima de intensidade quanto aos interesses de cada um, então a conduta a adotar é aquela que adotou, solicitando à subcomissão de Ética que esclareça se há ou não alguma incompatibilidade", acrescentou.




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