Política Despesa do Bloco de Esquerda nas Europeias derrapa 53% e quase iguala a do PSD

Despesa do Bloco de Esquerda nas Europeias derrapa 53% e quase iguala a do PSD

Os gastos dos bloquistas nas Europeias 2019 ficaram 53% acima do orçamentado, subindo para um nível muito próximo dos gastos do PSD. O BE gastou três vezes mais do que o previsto em custos administrativos e operacionais.
Tiago Varzim 21 de novembro de 2019 às 15:54
Foi uma campanha que rendeu mais um eurodeputado ao Bloco de Esquerda, mas que também exigiu mais custos do que os previstos - quase tanto quanto gastou o PSD.

Com a despesa a derrapar 53%, o próprio partido foi chamado a dar uma maior contribuição para saldar as contas da campanha. É isso que mostram as contas finais das Europeias 2019 entregues pelo BE e pelos restantes partidos junto da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos divulgadas esta quarta-feira, 20 de novembro

Segundo as contas entregues na ECFP, os bloquistas previam gastar 576 mil euros, mas acabaram por gastar 879 mil euros (mais 303 mil euros). O maior desvio verifica-se nos custos administrativos e operacionais em que a despesa triplicou: passou de 140 mil euros para 439 mil euros.

Este acabou por ser o maior gasto do BE nas eleições europeias, sendo que no orçamento inicial a maior despesa prevista seria com comícios, espetáculos e caravanas. Questionada pelo Negócios, fonte oficial do partido justifica os gastos com "uma dinâmica maior do que o previsto, em todo o território nacional", o que "exigiu um reforço de meios e recursos, por exemplo, na comunicação e em iniciativas de contacto com a população".

"O Bloco geriu este aumento dentro das suas possibilidades, sem dívidas ou recurso a financiamento bancário", acrescenta a mesma fonte. Para compensar o aumento da despesa, o próprio partido teve de contribuir com muito mais dinheiro do que estava previsto: a contribuição de 24,9 mil euros passou a 401 mil euros, quase tanto quanto a subvenção estatal que os bloquistas receberam (445 mil euros). A angariação de fundos também não ajudou ao ter ficado aquém do esperado: 33 mil euros face aos 151 mil euros orçamentados, menos 78%.

Assim, o orçamento final do Bloco de Esquerda para as Europeias 2019, em que elegeram Marisa Matias e José Gusmão (mais um eurodeputado do que em 2014), ficou muito próximo nível do PSD. Os social-democratas, que elegeram seis eurodeputados, gastaram 881 mil euros nesta campanha, ligeiramente abaixo dos 890 mil orçamentados e ligeiramente acima dos 879 mil euros gastos pelo BE.

O PSD acabou por ter uma subvenção maior do que a esperada e o partido teve de contribuir com menos face ao orçamentado. O partido liderado por Rui Rio gastou menos em custos administrativos e operacionais, o que foi parcialmente compensado com mais gastos em comícios, espetáculos e caravanas e em propaganda, comunicação impressa e digital. 

Já o Partido Socialista, que elegeu nove eurodeputados, gastou mais 35% face ao orçamentado: 1,25 milhões de euros previstos passaram a 1,68 milhões de euros. Tal obrigou a uma maior contribuição por parte do partido para pagar as despesas, já que a angariação de fundos ficou bastante aquém.

A maior divergência nos gastos dos socialistas está nos comícios, espetáculos e caravanas onde gastaram praticamente o dobro do previsto (400 mil euros passaram a 766 mil euros), o que foi parcialmente compensado com menos gastos noutras rubricas.



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