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Após perder terreno nas sondagens, Dilma Rousseff prepara-se para lançar "pacote anti-Marina"

A Presidente brasileira pisca o olho ao eleitorado evangélico para conseguir a sua reeleição, com a aprovação de uma lei que prevê a concessão de benefícios fiscais a igrejas evangélicas. A sua rival Marina Silva, ela própria uma evangélica, reúne as preferências deste eleitorado.

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Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 02 de Setembro de 2014 às 18:35
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A religião chegou de vez à campanha eleitoral brasileira e vai ser um dos factores a ter em conta nas presidenciais deste ano. Tudo por causa de Marina Silva que pertence e professa na igreja evangélica Assembleia de Deus.

 

É que, neste momento, a candidata pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) está a subir nas sondagens. E o Executivo de Dilma Rousseff acredita que isso está relacionado, em parte, com a sua religião, devido ao peso do eleitorado evangélico.

 

Para inverter a subida de Marina Silva nas sondagens, o Palácio do Planalto prepara-se para lançar o "pacote anti-Marina". E a primeira medida que Dilma Rousseff se prepara para tomar é a aprovação de uma lei que concede benefícios fiscais às igrejas evangélicas, avança a Folha de São Paulo esta terça-feira, 2 de Setembro.

 

Inicialmente, esta lei foi concebida para a Igreja Católica, depois de Brasília e do Vaticano terem chegado a acordo em 2008. O objectivo agora é estender estes benefícios às igrejas evangélicas e a outras denominações religiosas.


A Lei Geral das Religiões surgiu depois dos líderes evangélicos reclamarem um tratamento igualitário das religiões por parte do Estado. O documento foi aprovado em 2013 pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, mas ainda não foi discutida e votada no plenário.

 

O Governo de Dilma Rousseff quer agora acelerar o processo e com o objectivo de acelerar a sua aprovação, pretende dar ao projecto o estatuto de urgência.

 

A importância do eleitorado evangélico

 

Por religiões, o eleitorado brasileiro é constituído na sua maioria por católicos (63%), seguidos dos evangélicos (22%) e ateus, agnósticos ou que professam outras religiões (15%), segundo dados da revista Veja.

 

Mas se os eleitores católicos se dividem entre as duas candidatas (40% a 42% para cada uma), a maioria dos evangélicos (53%) prefere Marina Silva, o que pode vir a pender a balança para a antiga ministra do Ambiente de Lula da Silva na segunda volta. É isto que preocupa actualmente a liderança do Partido dos Trabalhadores de Dilma Rousseff.

 

A importância do eleitorado evangélico levou Dilma Rousseff a ceder - nas eleições presidenciais de 2010 - às exigências de vários líderes evangélicos, das igrejas Assembleia de Deus, Renascer, Igreja da Floresta e da congregação presbiteriana.

 

Ficou acordado então que temas como aborto, união civil entre homossexuais ou legalização ou despenalização de drogas ficariam de fora da agenda do Governo e que, a serem discutidos, teriam lugar no Congresso Nacional.

 

A pressão dos líderes evangélicos sobre Marina Silva já se fez notar. No programa de Governo de Marina Silva, a candidata do PSB defendeu mais direitos para a comunidade LGBT. Mas pressionada pelos evangélicos nas redes sociais, com o pastor Silas Malafaia à cabeça, essa parte do programa foi corrigida para uma versão mais suavizada.

 

Marina Silva veio a público dizer que tinha havido um engano na primeira versão, e que a segunda já tinha sido editada correctamente.

 

Este recuo nos direitos dos homossexuais levou à demissão do secretário nacional do PSB, Luciano Freitas, que não gostou de ver a candidata ceder às pressões do eleitorado conservador.

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