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Discurso de Marcelo: BE e PCP esperam "para ver", direita promete "respeito democrático"

Na primeira reacção às palavras do novo Presidente da República, PS e PSD insistiram na questão da legitimidade do Governo. Os partidos à esquerda mostraram-se prudentes para saber se Marcelo fará das palavras actos.

Miguel Baltazar
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 09 de Março de 2016 às 12:19
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As primeiras palavras de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República, esta quarta-feira 9 de Março no Parlamento, agradaram à direita pela mensagem de "esperança" e "unidade nacional" e puseram os partidos mais à esquerda - que não aplaudiram o juramento - expectantes para ver se as palavras se reflectem nos actos. Já o PS sublinhou a necessidade de consensos.

O líder da bancada parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, destacou o "grande sentimento de unidade nacional" e a "esperança na capacidade reformadora do povo português" do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Defendendo que os sociais-democratas têm sido exemplo na tentativa de obtenção de consensos e prometendo respeito democrático pelos órgãos de soberania, voltou a deixar farpas aos socialistas, recordando as circunstâncias em que o actual Governo tomou posse: "Todos nos lembramos que foram invertidas várias das tradições da nossa democracia e do respeito da vontade popular manifestada em eleições".

Paulo Portas, líder do CDS de saída do cargo, considerou que Marcelo "soube puxar pela auto-estima e confiança dos portugueses". "O discurso é bom, literariamente bem escrito, politicamente inatacável", considerou o líder centrista, apontando o início de um mandato presidencial como sendo "sempre um momento de esperança" e realçando os "valores humanistas e personalistas" do Presidente. "É um discurso nacional, que é o que se espera de um Chefe de Estado que acaba de tomar posse", afirmou.

Também na onda dos consensos, Carlos César, pelos deputados do Partido Socialista (PS), sublinhou o apelo feito por Marcelo à satisfação simultânea dos compromissos externos com os compromissos com os portugueses, "do equilíbrio orçamental com o equilíbrio social", defendendo que Belém pode trazer estímulos ao consenso. "É dever de todos os políticos responderem ao apelo em torno do consenso. O Governo está em funções, é legítimo, tem maioria parlamentar que o suporta. É tempo de o PSD esquecer a sua impaciência em relação à situação que vive, de oposição", afirmou.

Já o líder comunista, Jerónimo de Sousa, disse-se disponível para convergências, mas afirmou que mais do que existirem consensos, é necessário saber em torno de quê, e disse esperar para ver se as preocupações do discurso de Marcelo se materializam: "[O Presidente] jurou defender, cumprir e fazer cumprir juramento perante milhões de portugueses. Insisto muito nesta ideia, a prática é a mãe de todas as coisas", defendeu. Numa referência a uma das passagens da intervenção de Marcelo, que apelava à necessidade de "sarar as feridas" considerou que tal só acontecerá se for realizada "outra política, diferente da que foi seguida nos últimos anos. Talvez o Presidente da República não estivesse a pensar nisso", disse.

"Aguardamos todos pelos dias que se seguem", acompanhou Catarina Martins. A coordenadora do Bloco de Esquerda notou a vontade de "fazer pontes para outros sectores" presentes nas primeiras palavras do Chefe de Estado, apesar de apontar que denotam uma "visão conservadora do país". A bloquista disse esperar que as palavras de Marcelo correspondam à "expectativa legítima da democracia, de que a constituição possa ter o peso devido no nosso Estado". "Serão anos de enormes desafios sobre a democracia em Portugal. (…) Nós aqui estaremos com a colaboração institucional que é necessária", garantiu.

Heloísa Apolónia, deputada d’Os Verdes, salientou as referências insistentes à lei fundamental feitas pelo novo Presidente, mas também manifestou cautela em relação à acção de Marcelo querendo aguardar para saber se as palavras vão ter uma "acção prática nas medidas que vier tomar.

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